‘Inaceitável’: entidades repudiam prisão de jornalista perseguido por Carla Zambelli

Sindicatos e federações denunciam o "rigor excessivo" da Justiça de São Paulo contra Luan Araújo

Jornalista Luan Araújo e a ex-deputada Carla Zambelli

Jornalista lamentou o desequilíbrio na disputa judicial, afirmando possuir "muito menos armas" que sua oponente/Reprodução/Instagram e Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Entidades representativas da categoria jornalística manifestaram um forte repúdio à decisão do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, em São Paulo, que determinou a prisão em regime aberto do jornalista Luan Araújo, perseguido pela ex-deputada Carla Zambelli.

O profissional, que ganhou repercussão nacional após ser perseguido a mão armada pela ex-parlamentar em 2022, teve a detenção ordenada pelo não pagamento de uma multa judicial.

Entidades criticam punição e vulnerabilidade

Em nota conjunta, a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (Cojira-SP) do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) criticaram duramente a punição imposta ao profissional.

As organizações destacam que a determinação de prisão ocorre em razão do não pagamento de R$ 2.216,30, valor decorrente de uma condenação por difamação em ação movida por Zambelli.

As entidades chamam a atenção para a situação de vulnerabilidade de Araújo, que está atualmente desempregado.

Para as comissões de igualdade racial da categoria, a medida é desproporcional, considerando que o jornalista afirma não possuir recursos financeiros para quitar a indenização e já enfrenta problemas psicológicos decorrentes do caso.

Indignação com jornalista preso x ex-deputada ‘livre

O posicionamento das entidades também reflete a indignação com o contraste jurídico entre os dois envolvidos no episódio de 2022.

Luan Araújo foi condenado por um texto crítico no qual afirmou que Zambelli liderava uma “seita de doentes de extrema direita”. Teve a prisão decretada pelo juiz José Fernando Steinberg após ser intimado e não cumprir a prestação pecuniária.

Carla Zambelli, embora condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal no mesmo episódio, está na Itália.

O repúdio das entidades ganha força após a notícia de que a Corte de Apelação de Roma negou o pedido de extradição feito pelo governo brasileiro, permitindo que Zambelli permaneça em liberdade no exterior.

‘Armas desiguais

Por meio das entidades, Luan Araújo expressou sua tristeza com a repercussão, mas agradeceu o acolhimento da categoria.

Ele classifica a condenação como “injusta” e iniciou uma mobilização nas redes sociais para tentar custear processos contra a ex-deputada.

O jornalista lamentou o desequilíbrio na disputa judicial, afirmando possuir “muito menos armas” que sua oponente.

A defesa da liberdade de expressão e o combate à perseguição judicial contra jornalistas têm sido as principais bandeiras levantadas pelo SJSP e pela Fenaj diante deste novo desdobramento do caso.