Eleições 2026: ministro do TSE suspende pesquisa que apontava queda de Flávio Bolsonaro

Kassio Nunes Marques aponta que há a suspeita de indução ao leitor; decisão é liminar e será levada para sessão colegiada

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel, focada na disputa para o cargo de presidente da República nas Eleições de 2026/Divulgação/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel, focada na disputa para o cargo de presidente da República nas Eleições de 2026/Divulgação/TSE

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a divulgação da pesquisa AtlasIntel, focada na disputa para o cargo de presidente da República nas Eleições de 2026. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (8/6) no site oficial do TSE.

Segundo a decisão liminar do presidente do Tribunal, ministro Kassio Nunes Marques, há a suspeita de indução ao leitor na elaboração das perguntas do levantamento, divulgado no dia 19 de maio, sob o protocolo BR-06939/2026.

Na pesquisa, Lula aparece com 48,9% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 41,8%. No levantamento anterior, do mesmo instituto, estava 47,8%, contra 47,5% para Lula. O mesmo levantamento 95,6% dos entrevistados disserem ter conhecido do áudio de Flávio para Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Justificativa para a suspensão da pesquisa

De acordo com o TSE, Nunes analisou o pedido de suspensão elaborado pelo Partido Liberal. A cifra argumenta que o questionário foi construído para induzir respostas que prejudicaram o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O material ainda teria extrapolado o papel de verificação da opinião pública.

Em análise preliminar, o ministro afirmou que há elementos que indicam a indução para a “contaminação” das respostas, incluindo a divulgação de áudios de investigações.

Além disso, Kassio Nunes destacou que a concessão da liminar parcial para suspender a divulgação, o impulsionamento, a republicação ou a manutenção da pesquisa nos canais oficiais da empresa não indica perigo, caso a regularidade metodológica da pesquisa seja comprovada.

“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada, inclusive no cotejo com os questionários de outras pesquisas registradas no TSE pela mesma empresa”, destacou o ministro.

Viés político e controvérsia

O ministro lembrou que o CEO da AtlasIntel reconheceu o viés político do conteúdo apresentado aos entrevistados, além de ter apontado desgaste eleitoral no material. A fala aconteceu em entrevista à CNN no dia 19 de maio deste ano.

Segundo Kassio Nunes, há indícios de que o levantamento “possa ter extrapolado os limites da regular aferição estatística”. “A controvérsia suscitada nos autos não se limita, portanto, à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, afirmou.

A decisão destaca ainda que outras 27 pesquisas promovidas pela AtlasIntel não apresentaram questionários com perguntas semelhantes ao teor sugerido no levantamento.

Por fim, o ministro determinou que a empresa apresente a documentação técnica complementar que indique a regularidade da metodologia, especialmente em relação ao uso de áudios de investigações. O Ministério Público Eleitoral também terá um dia para se manifestar.