O arquiteto, urbanista, designer e professor Julio Roberto Katinsky morreu nesta quinta-feira (11/6), aos 94 anos. Natural de Salto, no interior de São Paulo, ele construiu uma trajetória de mais de sete décadas dedicada à arquitetura, ao urbanismo, ao design e à formação de novas gerações de profissionais, tornando-se uma das principais referências da arquitetura moderna brasileira.
Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) em 1957, Katinsky lecionou na instituição por mais de 60 anos, alcançando o cargo de professor titular.
Ao longo da carreira acadêmica, destacou-se pela produção intelectual e pelas pesquisas voltadas à arquitetura educacional, defendendo projetos de escolas que oferecessem aos estudantes ambientes acolhedores e integrados à vida cotidiana.
Realizações da carreira
Entre suas principais realizações estão projetos como a Central Telefônica de Campos do Jordão, desenvolvida em parceria com o arquiteto Ruy Ohtake, o Pavilhão do Brasil na Expo 70, em Osaka, no Japão, e o Teatro Municipal Brás Cubas, em Santos.
Além da arquitetura, Katinsky deixou uma contribuição importante para o design brasileiro.
Ainda no início da carreira, trabalhou no escritório de Jorge Zalszupin, onde projetou a clássica mesa de centro Andorinha, considerada um marco do mobiliário moderno nacional.
Em 1959, criou a conhecida Poltrona Katinsky, peça que ajudou a consolidar seu nome entre os principais designers brasileiros do século XX. Posteriormente, também assinou a Banqueta Katinsky, outro trabalho de destaque em sua produção.
Entre suas obras mais emblemáticas está a própria residência, construída no bairro de Perdizes, na capital paulista. Projetada em 1965 e concluída em 1973, a casa tornou-se um símbolo de sua visão arquitetônica, marcada pelo uso do concreto aparente, pela valorização da estrutura e pela busca de soluções inovadoras inspiradas no avanço tecnológico vivido pelo Brasil nas décadas de 1950 e 1970.
Ao longo de sua trajetória, Katinsky participou ainda de concursos importantes, como o projeto apresentado para a construção de Brasília, ao lado de arquitetos ligados ao escritório de João Batista Vilanova Artigas.
Seu legado permanece preservado também na FAU-USP, cuja biblioteca reúne dezenas de desenhos originais que retratam projetos residenciais, educacionais, culturais, industriais e peças de mobiliário desenvolvidas pelo arquiteto.
