O inglês do árbitro brasileiro na estreia da Copa de 2026: fez feio ou deu o recado?

Inglês de Wilton Pereira Sampaio foi criticado na Copa do Mundo; mas a comunicação foi eficaz e o sotaque não comprometeu a mensagem

Wilton Pereira Sampaio roubou a cena no primeiro jogo da Copa do Mundo deste ano. Foto: Reprodução/CBF

Wilton Pereira Sampaio roubou a cena no primeiro jogo da Copa do Mundo deste ano. Foto: Reprodução/CBF

O árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio chamou atenção na partida de abertura da Copa do Mundo de 2026 não apenas por suas decisões em campo, mas também pelo anúncio em inglês de uma revisão do VAR.

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Bastou a transmissão ir ao ar para que surgissem comentários e piadas nas redes sociais questionando seu inglês.

Mas será que o que ele disse era realmente incompreensível? Vale a pena analisar a fala com mais calma. A primeira frase anunciada foi:

“After review, attacker number eleven commits serious foul play.”

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Em português: “Após análise, o atacante número onze comete uma falta grave.”

Do ponto de vista gramatical, a construção está adequada. A pronúncia também se mostrou suficientemente clara para transmitir a mensagem ao público internacional, apesar de alguns pequenos desvios.

Na sequência, o árbitro disse:

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“Is… arms directly (to) the face (of the) defender.”

Em português: “É… braços diretamente no rosto do defensor (zagueiro ou lateral).” Nesse trecho, a fala apresentou algumas hesitações. O uso de “is” no início parece funcionar mais como uma pausa para organizar o pensamento e, em inglês, seria mais natural recorrer a sons de preenchimento como “uh”, “um” ou “hmm”.

Além disso, algumas palavras gramaticais, como “to” e “of the”, não foram pronunciadas.

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No entanto, essas omissões tiveram impacto mínimo na compreensão. Isso acontece porque palavras como “arms”, “face” e “defender” carregam o núcleo do significado.

Em situações reais de comunicação, ouvintes utilizam o contexto para preencher pequenas lacunas e interpretar corretamente a mensagem.

Por fim, veio o anúncio decisivo:

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“Decision: direct free kick. Red card.”

Em português: “Decisão: tiro livre direto. Cartão vermelho.” Aqui, a comunicação foi objetiva, precisa e com pronúncia clara. Não há desvios a serem apontados.

Antes de qualquer julgamento, é importante considerar o contexto em que essa fala ocorreu.

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Estádio lotado

O árbitro estava diante de um estádio com cerca de 80 mil pessoas, sob enorme pressão e precisando comunicar uma decisão importante em tempo real para uma audiência global.

Nessas circunstâncias, pequenas hesitações, omissões de palavras ou deslizes de pronúncia são absolutamente esperados, especialmente quando se utiliza uma segunda língua.

A própria acústica do ambiente influencia a inteligibilidade. Em um estádio lotado, parte da mensagem naturalmente se perde em meio ao ruído.

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Tanto quem fala quanto quem ouve depende do contexto para completar informações que eventualmente não sejam percebidas com nitidez.

E há um indicador bastante simples para avaliar se a comunicação funcionou: o resultado. O objetivo principal era informar que a decisão da arbitragem havia sido de tiro livre direto e cartão vermelho.

A reação imediata dos jogadores, da equipe técnica e do público mostrou que a mensagem foi imediatamente compreendida.

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Esse episódio expõe um equívoco bastante comum: a ideia de que falar inglês com sotaque brasileiro significa falar inglês errado. Sotaque e erro são coisas diferentes, como já disse algumas vezes aqui nesta coluna.

O inglês é uma língua global, utilizada diariamente por pessoas de diferentes nacionalidades, cada uma carregando traços da sua língua materna.

Ao longo da Copa do Mundo, veremos árbitros, atletas, jornalistas e dirigentes dos mais diversos países usando o inglês como segunda língua. Cada um terá um sotaque próprio, influenciado pelo seu idioma de origem, e isso normalmente não impede uma comunicação eficiente.

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O fato é que o árbitro brasileiro assumiu a responsabilidade de transmitir uma decisão importante em inglês e cumpriu sua função.

Enquanto isso, quantos brasileiros deixam de participar de uma reunião, fazer uma viagem ou aproveitar uma oportunidade profissional simplesmente por medo de errar ou de serem julgados pela forma como falam?

Se quisermos formar mais pessoas capazes de se comunicar em inglês, precisamos substituir o deboche pelo incentivo.

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Afinal, a fluência não nasce da perfeição, mas da coragem de abrir a boca e falar.