Produzir energia limpa já não é o maior desafio. O verdadeiro problema, agora, é conseguir aproveitar toda essa eletricidade quando ela é gerada.
Milhões de quilowatts produzidos por usinas solares e eólicas acabam sendo desperdiçados todos os anos por falta de infraestrutura para armazenar essa energia. E é justamente aí que entra uma solução das baterias renováveis.
Um projeto recém-inaugurado no Chile está mostrando, na prática, como essa tecnologia pode transformar o setor elétrico. E o Brasil tem bons motivos para observar de perto essa experiência.
O que o Chile fez de diferente?
A empresa EDP colocou em operação seu primeiro sistema de armazenamento por baterias na América do Sul. O projeto foi integrado ao Parque Eólico Punta de Talca, localizado na região de Ovalle, no norte do país.
O sistema recebeu investimento de US$ 44 milhões e possui capacidade de armazenamento de 240 MWh. Na prática, as baterias funcionam como uma espécie de “caixa d’água” da energia.
Quando há excesso de produção de eletricidade, a energia é armazenada. Depois, ela pode ser liberada nos momentos em que o consumo aumenta ou quando o sistema precisa de reforço.
Por que as baterias são importantes?
Especialistas apontam que ampliar linhas de transmissão continuará sendo fundamental.
O problema é que essas obras costumam levar anos para serem concluídas. Enquanto isso, a geração renovável segue crescendo rapidamente.

As baterias surgem como uma alternativa capaz de oferecer respostas mais rápidas. Elas ajudam a equilibrar oferta e demanda, reduzem desperdícios e aumentam a confiabilidade da rede elétrica.
Entre os principais benefícios estão:
- Aproveitamento de energia que seria descartada;
- Maior estabilidade do sistema elétrico;
- Menor necessidade de acionamento de usinas térmicas;
- Redução de custos operacionais;
- Apoio à expansão de fontes renováveis.
O problema que também afeta o Brasil
O modelo chileno ganha relevância porque enfrenta um desafio que já preocupa o setor elétrico brasileiro.
Nos últimos anos, a expansão acelerada da energia solar e da energia eólica aumentou significativamente a oferta de eletricidade limpa no país. Porém, a rede de transmissão nem sempre consegue acompanhar esse crescimento.
Ele acontece quando usinas precisam reduzir sua produção porque não há capacidade suficiente para transportar ou consumir toda a energia gerada naquele momento. Em outras palavras: energia limpa acaba sendo desperdiçada.
Segundo dados citados pela Volt Robotics, cerca de 20,6% da energia solar e eólica disponível no Brasil foi perdida em 2025 devido a limitações operacionais e gargalos na transmissão. As perdas ultrapassaram R$ 6 bilhões.



