O kimchi, prato tradicional da Coreia do Sul preparado com vegetais fermentados, pode ter um papel inesperado na saúde humana.
Um estudo publicado na revista Bioresource Technology em maio de 2026 identificou uma bactéria presente no alimento capaz de ajudar o organismo a eliminar partículas microscópicas de plástico.
A descoberta surge em um momento de crescente preocupação com os microplásticos e nanoplásticos, encontrados em diferentes partes do corpo humano.
Os resultados ainda são preliminares, mas abriram uma nova linha de investigação sobre formas biológicas de reduzir essa exposição.
O que é kimchi
O que são os microplásticos e como chegam ao organismo
Microplásticos são pequenos fragmentos gerados pela degradação de objetos plásticos. Já os nanoplásticos são ainda menores e invisíveis a olho nu.
Essas partículas podem entrar no organismo por meio da água, dos alimentos e até do ar. Pesquisas recentes já identificaram sua presença em artérias, placentas, ossos e até no cérebro humano.
Embora a ciência ainda esteja investigando os impactos exatos a longo prazo, a presença dessas partículas já vem sendo associada a riscos cardiovasculares, inflamação das células e danos ao desenvolvimento cerebral.
Como a pesquisa foi realizada
O novo trabalho analisou uma bactéria chamada Leuconostoc mesenteroides CBA3656, encontrada no repolho fermentado utilizado na produção do kimchi.
Segundo os pesquisadores, a bactéria foi submetida a diferentes condições de temperatura, acidez e concentração de partículas plásticas para avaliar sua capacidade de interação com os nanoplásticos.
Depois dos testes em laboratório, a equipe utilizou camundongos criados sem microbiota intestinal própria.
O objetivo foi observar de forma mais precisa o comportamento da bactéria dentro de organismos semelhantes aos dos humanos.
O que os cientistas descobriram
Os resultados mostraram que a bactéria conseguiu aderir a cerca de 87% dos nanoplásticos analisados em laboratório.
Mesmo em condições semelhantes às encontradas no intestino humano, ela manteve boa parte dessa capacidade.
Nos experimentos com animais, os camundongos que receberam a bactéria eliminaram mais que o dobro de partículas plásticas nas fezes quando comparados ao grupo que não recebeu o tratamento.
De acordo com os autores do estudo, isso sugere que determinados microrganismos presentes em alimentos fermentados podem funcionar como uma espécie de “capturador” biológico, facilitando a remoção dessas partículas do organismo.
O que ainda falta comprovar
Apesar dos resultados promissores, os próprios pesquisadores alertaram em comunicado que as conclusões ainda não podem ser aplicadas diretamente aos seres humanos.
A pesquisa foi realizada em laboratório e em animais, uma etapa importante do desenvolvimento científico, mas insuficiente para comprovar benefícios em pessoas.
Além disso, serão necessários estudos clínicos para verificar qual quantidade da bactéria seria necessária, qual seria sua eficácia real e se os efeitos observados nos testes podem ser reproduzidos em humanos.





