A jornalista Adriana Catarina Ramos de Oliveira, presa em 2025 após dois episódios de ataques homofóbicos em São Paulo, terá de pagar R$ 60 mil em indenizações às vítimas e participar de cursos de conscientização sobre diversidade.
As medidas fazem parte de um acordo de não persecução penal firmado com o Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
Homologado pela Justiça em 3 de junho, o acordo prevê o pagamento de R$ 15 mil para cada uma das quatro vítimas dos casos registrados no Shopping Iguatemi e em um condomínio na região central da capital paulista.
Além das indenizações, Adriana deverá participar de cursos e atividades voltadas ao combate à LGBTQIAPN+fobia.
Entre as exigências estão videoaulas, encontros presenciais promovidos pela Secretaria Municipal de Direitos Humanos e grupos reflexivos realizados pela PUC-SP e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie.
Outra medida determina a doação de kits de estudo e higiene ao projeto Transcidadania, da Prefeitura de São Paulo, em valor equivalente a R$ 60 mil.
Com o acordo, a abertura de uma ação penal fica suspensa.
No entanto, caso a jornalista descumpra qualquer uma das condições estabelecidas, o Ministério Público poderá retomar a responsabilização criminal pelos ataques.
Casos ganharam repercussão nacional
Adriana ganhou notoriedade em junho de 2025 após ser presa em flagrante por injúria homofóbica no Shopping Iguatemi, na zona oeste da Capital. Na ocasião, ela ofendeu um homem durante uma discussão e foi detida pela polícia.
Poucos dias depois de deixar a prisão, a jornalista voltou a se envolver em um novo episódio.
Desta vez, ela foi filmada insultando três vizinhos homossexuais no condomínio onde morava, em Higienópolis, na região central de São Paulo.
Os vídeos circularam nas redes sociais e ampliaram a repercussão do caso.
Condição de saúde não afasta responsabilização
Durante o processo, a defesa apresentou documentos que apontam que Adriana enfrenta problemas psiquiátricos e está sob curatela provisória de suas filhas.
Mesmo assim, o juiz responsável pelo caso entendeu que a condição de saúde não impede a responsabilização pelos atos praticados.
Após os episódios, as filhas divulgaram uma nota pública pedindo desculpas às vítimas.
Elas afirmaram que a mãe convive há anos com transtornos psiquiátricos, incluindo esquizofrenia e transtorno bipolar, e que ela passou por diversas internações ao longo da vida.
Atualmente, Adriana permanece sob acompanhamento médico.
