Após 52 anos, congoleses em São Paulo transformam empate contra Portugal em festa histórica

Ao longo da tarde, dezenas de torcedores chegaram ao local vestidos com as cores da bandeira congolesa

Imigrantes transformaram a Casa Marx, na zona oeste, ponto de encontro da comunidade na capital paulista/Yuri Villaça/Gazeta de São Paulo

O empate por 1 a 1 entre a República Democrática do Congo e Portugal, na estreia das seleções na Copa do Mundo de 2026, teve sabor de vitória para a comunidade congolesa reunida em São Paulo nesta quarta-feira (17/6).

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Após 52 anos longe do torneio, imigrantes transformaram a Casa Marx, na zona oeste, ponto de encontro da comunidade na capital paulista, em um espaço de celebração, esperança e reencontro com a própria história.

Ao longo da tarde, dezenas de torcedores chegaram ao local vestidos com as cores da bandeira congolesa e carregando a expectativa de acompanhar um momento inédito de ver a seleção disputar uma Copa do Mundo diante de Portugal, uma das favoritas da competição e liderada por Cristiano Ronaldo.

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Torcida em festa

Entre brincadeiras e previsões otimistas, predominava a confiança na equipe africana. Antes mesmo do apito inicial, a torcida já provocava o astro português. “Cristiano Ronaldo, hoje vamos te mandar para casa”, brincaram alguns torcedores. Durante a comemoração do empate, a frase deu lugar a um coro repetido diversas vezes: “Vamos aposentar o Cristiano Ronaldo”.

Apesar do tom descontraído, a partida representou algo muito maior do que os 90 minutos em campo. Para muitos presentes, foi a primeira vez na vida que viram a República Democrática do Congo participar de uma Copa do Mundo. Uma das torcedoras, Prudence Kalambay, nunca havia tido essa experiência justamente porque a seleção estava afastada do torneio há mais de cinco décadas.

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A emoção também tomou conta de um imigrante que chegou a São Paulo há um ano e dois meses. Para ele, a possibilidade de ver o país enfrentar uma potência mundial despertou um sentimento que, para os congoleses, não era uma realidade até então.

A expectativa inicial era marcar ao menos um gol diante de Portugal. O empate, porém, superou as expectativas e passou a ser tratado como um resultado histórico para a comunidade congolesa.

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Futebol como símbolo de esperança

Durante o encontro, alguns torcedores também comentaram sobre a situação vivida pelo país e citaram os conflitos no leste da República Democrática do Congo. Um dos entrevistados, que cresceu na região central do país, afirmou que o resultado trouxe esperança para toda a população.

O bom resultado na estreia também alimentou a esperança de avançar na competição. Entre os presentes, a avaliação era de que somar pontos nas próximas partidas já representaria um marco para a seleção.

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Em campo, Portugal abriu o placar logo aos cinco minutos do primeiro tempo, com João Neves. A República Democrática do Congo empatou nos acréscimos da etapa inicial, com Yoane Wissa. Cristiano Ronaldo teve oportunidades, mas não marcou.

A lembrança da última participação também apareceu entre as conversas. Em 1974, quando o país disputou sua única Copa do Mundo, então sob o nome de Zaire, a campanha terminou sem vitórias e ficou marcada pela derrota por 9 a 0 para a Iugoslávia.

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Mais de meio século depois, a história começou a ser reescrita a milhares de quilômetros de casa, mas acompanhada de perto por uma comunidade que encontrou em São Paulo um espaço para manter vivas as origens e celebrar um momento que muitos esperaram a vida inteira para vivenciar.