O Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) recebeu, nesta quinta-feira (18/6), o Seminário Economia Circular para Descarbonização.
O evento reuniu 134 participantes entre pesquisadores, empresários, gestores públicos e representantes do ecossistema de inovação.
A iniciativa foi promovida pelos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs) Circula e Cidades Carbono Neutro, ambos apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
A programação abordou temas como gestão de resíduos, economia circular, inovação, políticas públicas, empreendedorismo tecnológico e descarbonização.
Integração entre projetos
Na abertura do evento, o diretor-presidente do IPT, Anderson Correia, destacou a união entre os dois centros.
“Este é um evento duplo e incomum na academia”, afirmou.
Segundo ele, os projetos se complementam.
“Eles buscam soluções de reciclagem alinhadas às metas de carbono neutro”, disse.
Correia ressaltou que os centros mantêm parcerias com municípios paulistas e instituições de pesquisa de outras regiões do País.
“Este seminário ocorre em um momento emblemático, pois daqui a uma semana o IPT comemora 127 anos de atividades”, acrescentou.
Soluções que saem do laboratório
O diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, Carlos Graeff, destacou a importância dos CCDs.
“A conversa entre dois CCDs é estratégica para a busca de soluções comuns”, afirmou.
Para ele, a aproximação fortalece a governança e amplia os resultados.
“Muitas soluções geradas em laboratório podem se transformar em empresas”, disse.
Graeff também destacou que a Fapesp possui linhas de apoio para transformar pesquisas em negócios.
Resíduos e redução de emissões
Representando a coordenação do CCD Cidades Carbono Neutro, Levi Pompermayer Machado destacou o papel dos projetos.
“Os CCDs modelam a atuação do Nuscarbon para a oferta de serviços e soluções inovadoras”, afirmou.
Já a diretora-geral do Ital, Eloísa Elena Garcia, ressaltou a convergência entre os dois centros.
“Temos foco em resíduos pós-consumo, mas nossos propósitos são muito semelhantes”, disse.
Segundo ela, resíduos orgânicos representam cerca de metade dos resíduos sólidos gerados no Brasil.
“Os resíduos alimentares contribuem significativamente para as emissões de gases de efeito estufa”, explicou.
Ela destacou ainda que a busca por tecnologias para transformar resíduos em energia aproximou os projetos do IPT.
Economia de baixo carbono
A coordenadora do Nuscarbon, Claudia Echevenguá Teixeira, apresentou iniciativas voltadas à economia circular.
“Hoje contamos com a Lei de Incentivo à Reciclagem, que estimula o engajamento das empresas”, afirmou.
Ela também destacou ações de educação ambiental.
“Trabalhamos a cultura da separação de resíduos por meio de oficinas e conteúdos educativos”, disse.
Segundo a pesquisadora, o diálogo entre ciência, políticas públicas e setor produtivo é essencial.
Mercado de carbono
O professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), José Fernando Thomé Jucá, defendeu avanços na agenda climática.
“Precisamos acelerar o mercado de carbono no País”, afirmou.
Segundo ele, o Brasil ainda perde potencial energético em aterros sanitários.
“Hoje, as perdas energéticas nos aterros chegam a cerca de 40%“, disse.
Jucá também defendeu o uso de inteligência artificial na gestão de resíduos e o avanço da produção de biometano.
Tecnologia e interação
Durante o evento, os participantes visitaram a feira tecnológica Start Mercado.
A mostra apresentou soluções desenvolvidas por startups ligadas ao programa realizado pelo IPT e pelo Sebrae for Startups.
Também foi promovida uma oficina interativa sobre sustentabilidade. Os participantes responderam perguntas e concorreram a exemplares dos livros da personagem Tec@, criada para aproximar ciência e tecnologia da população.






