NASA quer colocar telescópio em cratera no lado escuro da Lua para revelar segredos do Universo antigo

Cientistas acreditam que um observatório lunar poderá abrir uma nova janela para entender a origem do Universo e até procurar sinais de vida extraterrestre

Projeto da NASA quer instalar um radiotelescópio na face oculta da Lua para captar sinais emitidos logo após o Big Bang (Foto: Divulgação/NASA)

Projeto da NASA quer instalar um radiotelescópio na face oculta da Lua para captar sinais emitidos logo após o Big Bang (Foto: Divulgação/NASA)

Um telescópio instalado na face oculta da Lua pode ajudar a responder perguntas que intrigam a ciência há décadas. A proposta da NASA é usar uma cratera lunar como uma gigantesca antena capaz de captar sinais de rádio emitidos quando o Universo ainda era jovem e completamente escuro.

Continua após a publicidade

Se o plano funcionar, os cientistas poderão estudar a chamada “Idade das Trevas” cósmica, um período que ocorreu antes do nascimento das primeiras estrelas. A descoberta também pode mudar o que sabemos sobre a matéria escura e até sobre as leis da física.

Continua após a publicidade

Antes mesmo de ser construído, o projeto já desperta expectativas entre astrônomos de todo o mundo. Um protótipo menor deverá seguir para a Lua ainda neste ano e poderá indicar se a ideia é realmente viável.

Continua após a publicidade

Janela para o Universo antigo

Há cerca de 380 mil anos após o Big Bang, o Universo era formado principalmente por nuvens de hidrogênio neutro. Ainda não existiam estrelas nem galáxias, apenas uma imensa escuridão. Os cientistas chamam esse período de Idade das Trevas cósmica.

Continua após a publicidade

Mesmo nesse cenário aparentemente vazio, o hidrogênio emitia um sinal de rádio muito específico. Detectar esse sinal permitiria aos pesquisadores reconstruir como o cosmos começou a se organizar e compreender a interação entre a matéria comum e a misteriosa matéria escura.

Continua após a publicidade

“Saberíamos se a nossa física está correta ou se precisamos de criar uma física nova”, afirma Saptarshi Bandyopadhyay, especialista em tecnologia robótica do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA e responsável pelo projeto conhecido como Lunar Crater Radio Telescope (LCRT), à National Geagraphic.

Continua após a publicidade

Por que a Lua é o lugar ideal

Na Terra, captar esses sinais antigos é uma tarefa quase impossível. A atmosfera terrestre e os equipamentos eletrônicos produzem um ruído constante de ondas de rádio que dificulta a observação do Universo mais distante.

Continua após a publicidade

Por isso, a face oculta da Lua surge como um refúgio perfeito para a radioastronomia. O próprio satélite natural funciona como um escudo gigante, bloqueando as interferências vindas da Terra e reduzindo também parte do ruído produzido pelo Sol.

Continua após a publicidade

“A Lua é um dos melhores sítios para a radioastronomia”, diz o astrônomo Michael Garrett, diretor do Jodrell Bank Centre for Astrophysics, na Inglaterra. Segundo ele, um observatório lunar também pode facilitar a busca por possíveis sinais de inteligência extraterrestre.

Continua após a publicidade

Telescópio pode nascer dentro de uma cratera

A ideia do LCRT é transformar uma cratera de aproximadamente 1,3 quilômetro de diâmetro em um enorme radiotelescópio. Em vez de construir uma estrutura tradicional, os engenheiros pretendem aproveitar a própria geografia lunar.

Continua após a publicidade

O projeto mais recente prevê que um único robô pouse no centro da cratera e lance cabos de fixação em diferentes direções. Em seguida, um refletor de cerca de 350 metros de comprimento se abriria “como uma flor em forma de estrela”, concentrando os sinais de rádio em um receptor suspenso.

Continua após a publicidade

Ainda não há uma data para a construção do observatório definitivo. No entanto, um pequeno experimento chamado Lu-SEE Night deverá pousar na face oculta da Lua em breve para testar se é possível realizar estudos de radioastronomia naquele ambiente extremo.

Continua após a publicidade

Se a missão for bem-sucedida, os cientistas poderão estar mais próximos de ouvir, pela primeira vez, os sussurros do Universo primitivo e acessar “uma parte do universo que nunca vimos”, como resume Bandyopadhyay.