A lesão do atacante Raphinha poderia exigir um tempo de recuperação de 4 a 6 meses em cenários mais graves, segundo o ortopedista especialista em saúde esportiva Carlos Andreoli, da rede São Camilo. O atleta foi diagnosticado com um novo edema na região posterior da coxa direita no último dia 19 de julho, durante a vitória do Brasil por 3 a 0 contra o Haiti pela Copa do Mundo de 2026.
“A lesão no meio da massa muscular é de tratamento conservador, sem cirurgia. Quando o músculo solta do osso (tendão) totalmente na origem no ísquio e na inserção na perna, já se torna um caso de tratamento cirúrgico e a recuperação da cirurgia é de 4 a 6 meses”.
O jogador sentiu dores após uma arrancada e foi substituído aos 38 minutos do primeiro tempo.
Apesar do problema físico, Raphinha não foi cortado da Seleção Brasileira e pode voltar a jogar, caso o Brasil continue avançando no Mundial. Em coletiva realizada nesta terça-feira (23/6), ele afirmou estar focado em “retornar o mais rápido possível”.
Lesão de Raphinha se torna algo recorrente
O histórico de problemas físicos se tornou um obstáculo na carreira recente de Raphinha. Esta é a quarta vez que o jogador se machuca na mesma região apenas na temporada 2025/26. A recorrência prejudicou também seu desempenho no Barcelona, clube atual do jogador.
De acordo com Carlos Andreoli, casos similares são “frequentes em jogadores de futebol e afetam os três músculos posteriores da coxa, principalmente o bíceps femoral”.
O especialista também esclarece que, para compreender a gravidade e o tempo de afastamento, “é importante definir a porcentagem de lesão do músculo envolvido, por meio do USG ou ressonância. Até 10% leva a um afastamento de, em média, 10/15 dias, até 50% de três a cinco semanas e mais de 50% são de cinco a oito semanas afastado”.
Como tratar a lesão de Raphinha
Perguntado sobre como prosseguir com o tratamento depois de quatro lesões consecutivas no mesmo lugar, Andreoli explica que de 15% a 30% dos casos podem voltar a acontecer depois da retomada da prática esportiva. Por causa disso, ele afirma que o objetivo deve ser não apenas a recuperação, mas a garantia de um retorno seguro.
Desta forma, Andreoli afirma ser “fundamental controlar adequadamente a carga de treinos e competições, priorizar a qualidade do sono e os períodos de recuperação entre partidas, além de corrigir eventuais alterações biomecânicas”.
“Também é importante trabalhar a mobilidade, a estabilidade da região lombo-pélvica e o fortalecimento excêntrico da musculatura posterior da coxa, estratégias que contribuem para reduzir o risco de novas lesões e melhorar o desempenho esportivo”, conclui.
Entenda os diferentes níveis da lesão de Raphinha
Por fim, o ortopedista destaca que a porcentagem do músculo afetado e o tempo de recuperação sem intervenção cirúrgica podem variar de acordo com o grau da lesão. Casos de Grau I (leve) podem afetar até 10% do músculo e exigir um período de até três semanas. Enquanto comprometem até 50% do músculo, ocorrências de Grau II levam até com cinco semanas.
Em situações mais graves, como uma lesão de Grau III, o prazo de recuperação pode chegar em até oito semanas, uma vez que mais de 50% da musculatura é comprometida. No cenário de recorrência, como o vivido por Raphinha, os períodos de recuperação podem ultrapassar a expectativa inicial.
