Pandemia já fechou mais de 460 mil postos de trabalho no estado

Serviços e comércio foram os que mais demitiram desde março, segundo o Caged

Comércio na cidade de São Paulo

Setor de comércios e serviços foi o mais afetado, segundo dados divulgados pelo Caged | / Ronny Santos/Folhapress

Desde o início da pandemia do novo coronavírus, no mês de março, até o fim de maio, o estado de São Paulo perdeu 460,2 mil postos de trabalho com carteira assinada. Somente no quinto mês do ano foram 103,9 mil empregos perdidos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados esta semana pela Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia, com base em dados enviados pelas empresas.

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O desempenho crítico do estado acompanha o que é observado no restante do País. No Brasil, entre os meses de março e maio, 1,4 milhão de vagas foram extintas.

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Para o professor Renan Pieri, da FGV EAESP, os números refletem as dificuldades no mercado de trabalho, provocadas pelas medidas de distanciamento para conter o aumento de casos da Covid-19, visto que, antes da crise, assistíamos alguma recuperação.

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“O mercado de trabalho vinha de uma lenta recuperação desde a última grande crise, que foi em 2015, 2016. Se pegamos os dados dos últimos dois anos, tínhamos um aumento no número de vagas, com São Paulo puxando esta alta. Ainda era um crescimento tímido no mercado formal, mas existia. Desde que aconteceu a crise da Covid-19, contudo, houve uma reversão deste cenário.”

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Admissões e desligamentos em São Paulo (março – maio)

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Serviços e comércio

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Ainda de acordo com o professor, a crise atinge mais trabalhadores menos qualificados, com menor remuneração, e jovens, perfil majoritariamente encontrado nos setores de serviços e comércio, que foram os mais atingidos pela crise.

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Entre março e maio, o Caged mostra que 221,7 mil vagas foram fechadas no setor de serviços no estado de São Paulo. No comércio foram 127,8 mil, enquanto indústria, construção e agropecuária perderam 100 mil, 27,3 mil e 17 mil, respectivamente.

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Futuro

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Pieri acredita que nos próximos meses ficaremos em um processo de fechar e abrir o comércio, o que indica uma recuperação lenta até que haja, de fato, uma vacina, ou um controle do número de casos.

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Em longo prazo, uma vez que a pandemia termine, a perspectiva é que aumente o número de serviços online e de prestadores de serviços, que trabalhem de forma autônoma. Por outro lado, observa o professor, será preciso desenvolver algum tipo de regulamentação, diferente da CLT, para esses trabalhadores.

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Bares e restaurantes

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O setor de bares e restaurantes foi um dos mais atingidos pela crise da Covid -19. Um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel São Paulo) revela que:

  • 57,1% dos empresários do setor demitiram funcionários, sendo que expressiva parcela demitiu entre 30% a 50% da equipe;
  • Entre os que não demitiram, 83,3% utilizaram a suspensão do contrato de trabalho;
  • Sobre o futuro, 92,9% dos entrevistados acreditam que com a continuidade da pandemia, haverá recessão até o final do ano, e 40% dos estabelecimentos do setor de bares e restaurantes fecharão as portas em definitivo.