Defesa aciona a PGR contra Gilmar Mendes por declaração sobre Exército

Ministro do STF declarou que o Exército está se associando a um "genocídio", em referência à crise de saúde causada pela pandemia

A fala do ministro Gilmar Mendes causou indignação de militares; Gilmar não quis se manifestar sobre a reação dos militares

A fala do ministro Gilmar Mendes causou indignação de militares; Gilmar não quis se manifestar sobre a reação dos militares | /Carlos Moura/SCO/STF

Nesta segunda-feira (13), o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo anunciou que vai encaminhar uma representação à Procuradoria-Geral da República contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes por causa de uma declaração de Gilmar sobre o Exército. A medida foi anunciada por nota.

No sábado (11), o ministro do STF declarou que o Exército está se associando a um “genocídio”, em referência à crise sanitária instalada no País em meio à pandemia, agravada pela falta de um titular no Ministério da Saúde há 2 meses. A fala de Gilmar causou indignação em Azevedo.

“Comentários dessa natureza, completamente afastados dos fatos, causam indignação. Trata-se de uma acusação grave, além de infundada, irresponsável e sobretudo leviana. O ataque gratuito a instituições de Estado não fortalece a democracia”, afirmou Azevedo, em nota subscrita pelos comandantes do Exército, general Edson Pujol, da Marinha, almirante Ilques Barbosa Junior, e da Aeronáutica, brigadeiro Antônio Carlos Moretti Bermudez.

“Genocídio é definido por lei como ‘a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso’ (Lei nº 2.889/1956). Trata-se de um crime gravíssimo, tanto no âmbito nacional, como na justiça internacional, o que, naturalmente, é de pleno conhecimento de um jurista”, diz o texto.

Gilmar não quis se manifestar ontem sobre a reação dos militares. Em sua conta pessoal no Twitter, o ministro disse que não se furta a “criticar a opção de ocupar o Ministério da Saúde predominantemente com militares”. “A política pública de saúde deve ser pensada e planejada por especialistas, dentro dos marcos constitucionais. Que isso seja revisto, para o bem das FAs (Forças Armadas) e da saúde do Brasil”, escreveu.