Mourão minimiza orçamento maior para a Defesa do que para o MEC

Proposta de equipe econômica prevê um valor superior em R$ 5,8 bilhões para os militares do que o destinado para o Ministério da Educação

Hamilton Mourão disse que risco de crise é algo a ser enfrentado

O vice-presidente da república, General Hamilton Mourão, durante entrevista coletiva à imprensa | /Alan Santos/PR

Nesta segunda-feira (17), o vice-presidente Hamilton Mourão minimizou o fato de o governo querer um orçamento maior para o Ministério a Defesa do que para a Educação no próximo ano. Mourão argumenta que a diferença se deve ao “pagamento de pessoal” do ministério a qual as Forças Armadas são vinculadas.

Ao comentar o orçamento maior para a Defesa, Mourão disse ainda que projetos estratégicos dos militares estão atrasados.

A proposta orçamentária da equipe de Paulo Guedes prevê um valor superior em R$ 5,8 bilhões para os militares do que o destinado para o Ministério da Educação. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

O vice-presidente, que é general da reserva, disse que é preciso ter uma “análise qualitativa” dos dados e que “pelo menos” 80% do orçamento da Defesa está comprometido com gastos de pessoal. Segundo matéria do  “O Estado de S. Paulo”, é justamente o gasto obrigatório, como da folha de pagamento e pensões dos militares que mais pesa (91% do total) na proposta de orçamento do ministério para o próximo ano. Já o valor “discricionário”, usado para contratações de serviços e investimentos em obras e programas estratégicos, cairia de R$ 9,84 bilhões neste ano para R$ 9,45 bilhões.

De acordo com a proposta de orçamento mais atual em discussão no governo, a Defesa terá um acréscimo de 48,8% em relação à verba deste ano, passando de R$ 73 bilhões para R$ 108,56 bilhões em 2021. Enquanto isso, os recursos do MEC devem cair de R$ 103,1 bilhões para R$ 102,9 bilhões. Os valores, não corrigidos pela inflação, consideram todos os gastos das duas pastas, desde o pagamento de salários, compra de equipamentos e projetos em andamento, o que inclui, no caso dos militares, a construção de submarinos nucleares e compra de aeronaves.

Hamilton Mourão afirmou que apenas o orçamento da Defesa tem embutido gastos com pessoal. Porém a própria proposta elaborada pelo governo para o MEC prevê destinar cerca de 72% dos recursos da pasta para despesas como de pessoal, benefícios e pensões.