Mulheres estão acusando um médico nutrólogo de abuso sexual dentro do próprio escritório nos Jardins, zona sul da Capital. Ele já foi condenado em segunda instância por violação sexual mediante fraude pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, mas continua com autorização do Conselho Regional de Medicina (Cremesp). O doutor nega as acusações.
O médico foi condenado em 30 de julho e a divulgação ocorreu na revista “Veja”. De acordo com o relato de ao menos cinco mulheres, o crime ocorreu durante a realização de exames.
Elas alegam que procuraram o atendimento porque ele era um médico renomado. “Ele me fez deitar na maca, tirar a roupa. Ele começou um procedimento de auscultar meu coração e, já logo naquele dia, eu senti que ele botou a mão um pouco mais estranho quando ele foi auscultar meu coração, botou a mão no meu peito. Até o momento que ele pediu que eu tirasse a calcinha. E, na hora, me passou milhões de coisas na cabeça, mas não fui capaz nem de perguntar por que, nem de falar não”, disse uma mulher ao G1.
“Ele falou: ‘eu vou verificar como está, como estão as coisas’. E enfiou dois dedos na minha vagina e começou a estimular…meu clitóris. E dai eu já tava me sentindo muito mal…Eu virei pro lado, comecei a chorar sem que ele percebesse. Só desejava que aquilo acabasse o mais rápido possível”, contou outra paciente.
Atualmente, o médico cumpre pena em regime semiaberto por ser réu primário.
Abib Maldaun Neto se pronunciou em nota ao “G1”. Leia:
“Mantenho a consciência tranquila, pois em décadas arduamente dedicadas à medicina jamais pratiquei qualquer ato imoral ou ilegal contra qualquer paciente ou cidadão. Sempre atuei de forma ética, integra e profissional zelando pela dignidade da honrosa profissão a qual dedico a minha vida, por esta razão sempre colaborei com o processo, comparecendo em todos os atos e me colocando à disposição da justiça a fim de que a verdade real dos fatos seja devidamente comprovada”.
Os casos foram denunciados ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) pedindo que a licença dele como médico seja cassada.
“O que nós trabalhamos foi com as questões circunstanciais. Provas testemunhais que demonstravam que todo o relato dele, que estava acompanhado por uma enfermeira, que a paciente não tinha ido no dia da consulta, conseguimos demolir no processo legal, no criminal e no CRM”, disse a defesa das vítimas, advogado Fernando Castelo Branco.
De acordo com o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp), o registro profissional do médico continuará ativo até o trâmite judicial terminar.
