Robinho não é mais contratado do Santos

Reportagem que trouxe detalhes da condenação do atleta por estupro na Itália levaram clube a repensar contratação

Robinho

Diretoria e conselho chegaram a consenso e atacante não permanecerá no clube | Ivan Storti/Santos FC

O Santos Futebol Clube decidiu suspender o contrato de Robinho após a pressão de conselheiros, patrocinadores e torcedores. A decisão ocorreu depois uma reportagem veiculada por inúmeros veículos de comunicação terem trazido à tona detalhes sobre ligações telefônicas feitas pelo jogador nas quais ele admitia ter cometido um crime.

Continua após a publicidade

Em vídeo publicado nas redes sociais, Robinho afirma que tanto ele quanto o presidente Orlando Rollo decidiram juntos pelo fim do vínculo entre atleta e clube. O jogador diz, ainda, que irá provar que é inocente das acusações feitas pela justiça italiana.

“Com muita tristeza no coração falo para vocês que tomei a decisão junto ao presidente da suspensão do meu contrato nesse momento conturbado da minha vida e meu objetivo sempre foi ajudar o Santos Futebol Clube e se to atrapalhando de alguma maneira é melhor que eu saia. Para os torcedores do Peixão e as pessoas que gostam de mim com certeza eu vou provar para vocês aminha inocência. Um abraço”.

Continua após a publicidade

Confira abaixo a nota emitida pelo clube sobre a decisão:

“O Santos Futebol Clube e o atleta Robinho informam que, em comum acordo, resolveram suspender a validade do contrato firmado no último dia 10 de outubro para que o jogador possa se concentrar exclusivamente na sua defesa no processo que corre na Itália.”

Continua após a publicidade

CRIME.
Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça italiana, tidas como fundamentais para a condenação em primeira instância de Robinho, 36, por violência sexual de grupo, em 2017, foram reveladas nesta sexta-feira (16) pelo site globoesporte.com (GE).

Em novembro de 2017, o Tribunal de Milão julgou como procedente a acusação do Ministério Público italiano de que Robinho participou, com outros cinco homens, de violência sexual coletiva contra uma albanesa de 23 anos em uma discoteca de Milão. O episódio ocorreu em janeiro de 2013, quando ele tinha 28 anos e jogava no Milan.

Continua após a publicidade

Ainda segundo o Ministério Público, o grupo teria embebedado a jovem, que teria ficado inconsciente e sido levada para a chapelaria do estabelecimento, onde teria sido violentada múltiplas vezes. A defesa do jogador, à época, afirmou que não existem provas de que a relação foi sem consentimento.

A acusação foi baseada no depoimento da vítima e em conversas telefônicas interceptadas do grupo de amigos, com comentários jocosos sobre o ocorrido.

Continua após a publicidade

No primeiro julgamento, ele e o amigo Ricardo Falco foram condenados a nove anos de prisão, além de pagamento de indenização de 60 mil euros -os outros foram considerados incontactáveis, e o processo foi suspenso para eles.

As interceptações foram iniciadas em janeiro de 2014, em telefones grampeados e escutas instaladas em carro usado por Robinho. As conversas entre Robinho e Falco reveladas pelo GE foram consideradas prova de que eles sabiam da condição da vítima.

Continua após a publicidade

De acordo com uma das transcrições, Robinho foi avisado da investigação pelo músico Jairo Chagas, que tocou na boate na mesma noite de 2013, e afirmou: “Estou rindo porque não estou nem aí, a mulher estava completamente bêbada, não sabe nem o que aconteceu”.

“Olha, os caras estão na merda… Ainda bem que existe Deus, porque eu nem toquei aquela garota. Vi (nome de amigo), e os outros foderam ela, eles vão ter problemas, não eu… Lembro que os caras que pegaram ela foram (nome de amigo) e (nome de amigo) […] Eram cinco em cima dela”, completou.

Continua após a publicidade

Numa outra conversa com o músico, este pergunta a Robinho se ele não transou com a mulher. O jogador nega, e Chagas diz: “Eu te vi quando colocava o pênis dentro da boca dela”. Robinho responde que “isso não significa transar”.

Ainda de acordo com a reportagem do GE, a sentença mostra que, numa conversa entre Robinho e Falco, este último destaca que a “nossa salvação” era o fato de que o momento em que eles estavam com a jovem não fora flagrado por câmeras.

Continua após a publicidade

No seu depoimento à Justiça, a mulher afirma que não tinha condições de falar ou de ficar em pé naquela noite e aponta Robinho com um dos envolvidos na violência.

*Com informações de Folhapress