O número de mortes violentas no Brasil cresceu 7,1% no primeiro semestre de 2020 se comparado com dados de 2019, resultando em mais de 25 mil ocorrências. É como se uma pessoa foi assassinada a cada 10 minutos. Em 2019, 74,4% das vítimas eram negras, 51,6% jovens de até 29 anos e 91,2% eram homens. O percentual faz parte das informações divulgadas na 14ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Segundo um levantamento realizado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o registro de armas cresceu 120% em 2020 e houve queda na apreensão de armamento irregular. De acordo com a deputada Maria do Rosário (PT-RS), o aumento da violência tem ligação direta com a liberação de armas e munições. “A arma do cidadão de bem acaba na mão da criminalidade”.
Para o deputado João Campos (Republicanos-GO), é preciso melhorar o treinamento das forças de segurança no enfrentamento da criminalidade. “Se a polícia está preparada, capacitada para esse tipo de ação, certamente teremos menos pessoas abatidas pela polícia e menos agentes mortos”, afirma.
O relatório indica que nem sempre é possível fazer uma comparação direta entre os dados coletados e o isolamento social. Contudo, o estudo compara 2019 e 2018. Houve queda em relação aos gastos com segurança pública, as despesas da União caíram 3,8%; pouca variação quanto aos estados (0,6%); e um aumento dos investimentos por parte dos municípios (5,3%).
O parlamentar defende que, para compensar a diminuição de efetivo das polícias, é necessário que tenha investimento em tecnologia. “As polícias que mais enfrentam dificuldades nesse sentido são as investigativas, porque na área preventiva e ostensiva não há tanta inovação”.
População carcerária
Ainda de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 66,7% dos mais de 755 mil carcerários são negros. Para Maria do Rosário, preso por crime de baixo potencial tende a se tornar mais perigoso no presídio.
“Ele cai nas malhas de ações criminosas, de grupos do tráfico, de milicianos e aí a violência vai sendo retroalimentada. ”
A deputada também diz que há falta de articulação do governo federal com os estados na área de segurança pública e pede um plano nacional para o setor. Enquanto João Campos apoia um sistema integrado de segurança pública.
*Com informações da Agência Câmara de Notícias
