Câmara dos Deputados aprova projeto de legalização do aborto na Argentina

Foram 131 votos favoráveis ao projeto, 117 contrários e 6 abstenções; texto segue para o Senado

Em dezembro, grupos favoráveis ao projeto fizeram uma vigília durante a votação na Câmara

Em dezembro, grupos favoráveis ao projeto fizeram uma vigília durante a votação na Câmara | NATACHA PISARENKO/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Um projeto de lei que legaliza o aborto na Argentina foi aprovado pela Câmara dos Deputados nesta sexta-feira (11). Agora, o texto será avaliado pelo Senado do país. A votação dos senadores está sem data marcada até o momento.

Foram 131 votos favoráveis ao projeto, 117 contrários e 6 abstenções. Em 2018, uma proposta semelhante passou pelos deputados, mas foi rejeitado no Senado.

Na ocasião, a margem da aprovação foi menor que a desta sexta: 129 a favor e 125 contra. Grupos favoráveis ao projeto fizeram uma vigília antes da votação, além de realizarem mais de 20 horas de debates e discursos sobre o tema.

O projeto foi enviado ao Congresso pelo presidente Alberto Fernández, mas recebeu apoio de políticos que não compõem a base de governo.

Interrupção

Atualmente, a lei só autoriza a interrupção voluntária da gravidez quando há risco de vida para a mãe ou quando a concepção foi fruto de um estupro.

A proposta aprovada pela Câmara prevê a interrupção da gravidez até a 14ª semana de gestação. O procedimento deverá ser feito no prazo de até dez dias do pedido ao serviço de saúde.

Além disso, o projeto de lei prevê que os médicos que são contra o aborto não são obrigados a executar o procedimento, mas os serviços de saúde precisam indicar um outro profissional que se disponha a fazê-lo.

Se a paciente que quiser realizar o aborto tiver menos de 16 anos, ela deverá ter consentimentos dos pais ou responsáveis.