O vírus da dengue parece ser capaz de manipular o comportamento do mosquito Aedes aegypti, fazendo com que o inseto transmita o causador da doença de maneira mais eficiente.
Os pernilongos que carregam o vírus são, ao mesmo tempo, mais ávidos na busca de animais cujo sangue possam sugar e menos habilidosos quando tentam acessar esse sangue, o que exige mais contato com a pele da vítima por parte deles. Esses dois fatores podem até triplicar a probabilidade de transmissão da dengue entre as pessoas, afirma a equipe internacional de cientistas que detectou o fenômeno.
Coordenado por Julien Pompon, do IRD (Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento), na França, o trabalho acaba de ser publicado no periódico científico americano PNAS.
“Os dados ressaltam a importância do comportamento dos mosquitos na transmissão da doença. Qualquer vírus que não seja capaz de modificar esse comportamento provavelmente não vai conseguir ser transmitido ou emergir [ou seja, passar a infectar seres humanos]”, disse Pompon à reportagem.
De fato, exemplos de alterações comportamentais induzidas pela presença de micróbios ou parasitas (como vermes) no organismo de seus hospedeiros têm sido descobertos com cada vez mais frequência pelos cientistas. No caso do vírus da dengue, porém, os dados a esse respeito ainda eram contraditórios. (FP)