Doria agora prega candidatura própria, mas já defendeu 3ª via unida

Presidenciável do PSDB esteve presente no evento do BTG com entrevista postulantes à Presidência da República

João Doria

João Doria (PSDB) | Governo de São Paulo

“Se lá adiante eu tiver que oferecer o meu apoio para que o Brasil não tenha mais essa triste dicotomia, do pesadelo de ter Lula e Bolsonaro, eu estarei ao lado daquele ou de quantos forem os que serão capacitados para oferecer uma condição melhor para o Brasil”, afirmou João Doria (PSDB) em 22 de fevereiro deste ano.

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No evento do BTG com entrevistas dos postulantes à Presidência da República, o presidenciável do PSDB e ex-governador de São Paulo afirmou ainda que não colocaria seu projeto pessoal à frente. “O meu país, o povo do meu país, é mais importante do que eu mesmo”, disse.

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Essas e outras frases em que Doria indica apoio a um acordo da chamada terceira via voltaram a ser lembradas entre tucanos no momento em que o ex-governador ameaçou, via carta, ir à Justiça para obrigar o partido a lançar o seu nome.

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A questão está no centro do mais recente imbróglio no PSDB.

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Nesta terça-feira (17), a executiva nacional do partido decidiu prosseguir com as conversas com MDB e Cidadania para escolher, por meio de uma pesquisa, um candidato único da terceira via -costura que tende a apontar o nome de Simone Tebet (MDB) no lugar do de Doria.

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O tucano vem sendo pressionado pelo próprio partido a desistir da candidatura e foi convidado para uma reunião em que líderes do PSDB devem falar a ele abertamente sobre sua inviabilidade eleitoral.

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Em resposta à articulação pró-Tebet, Doria enviou, no sábado (14), carta ao presidente do PSDB, Bruno Araújo, argumentando não haver a possibilidade de que o partido não tenha uma candidatura própria, dado que seu nome foi escolhido em prévias partidárias em novembro passado.

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“Na realização das prévias, entre três pretendentes, tanto a comissão executiva nacional quanto os filiados votantes optaram por uma candidatura própria à Presidência. […] Os filiados já optaram por uma candidatura própria à Presidência da República, em torno de nosso nome”, diz a carta.

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O texto trata a candidatura de Doria como um ponto já resolvido, um direito adquirido a ser apenas homologado na convenção partidária (entre julho e agosto), e que não caberia à cúpula do partido voltar atrás para apoiar Tebet.

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“Ao deliberar pela realização das prévias, a comissão executiva nacional decidiu por uma candidatura própria.”

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Na carta, Doria afirma que, se Araújo agir de forma diferente disso, “constitui abuso de poder, ato antijurídico passível de correção, pela via judicial inclusive”. Aliados do ex-governador preveem que a disputa será levada à Justiça Eleitoral.

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Questionada sobre o entendimento do ex-governador, que antes indicava a possibilidade de ceder à candidatura em nome da união da terceira via, a assessoria de Doria afirmou que não houve uma mudança de posicionamento dele, mas uma alteração no contexto eleitoral e político.

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A União Brasil, por exemplo, desistiu de se unir a PSDB, MDB e Cidadania e decidiu lançar um candidato próprio. E o ex-juiz Sergio Moro, que poderia ser um presidenciável da terceira via, foi descartado, o que afunilou a questão entre Doria e Tebet.

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Entre os argumentos de Doria estão o de que ele pontua numericamente à frente de Tebet (3% contra 1% na pesquisa Quaest da semana passada) e o de que a candidatura da emedebista pode acabar derrubada pelo MDB, que tem alas divididas entre apoiar Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

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Na convocação da reunião da executiva nesta terça-feira (17), feita em reação à carta de Doria, Araújo destacou que a negociação com a terceira via vinha sendo feita com o aval do ex-governador.

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“Todas as negociações até este momento de uma aliança em torno de uma candidatura única se iniciaram com notória anuência do ex-governador de São Paulo, pré-candidato do PSDB à Presidência, e com o aval da executiva nacional do partido e das bancadas no Congresso Nacional”, escreveu.

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Ao vencer as prévias, em 27 de novembro do ano passado, Doria afirmou: “Ninguém faz nada sozinho. Precisaremos da ajuda de todos. Da união do Brasil. Da união do PSDB. Da união com outros líderes e partidos”.

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Durante a campanha das prévias, Doria também acenou que toparia negociar com outras siglas para responder às criticas de que era intransigente e de que tinha uma candidatura isolada.

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“É entrar sem prerrogativas, com diálogo com outros partidos. Isenção, humildade e entendimento. Essa será nossa conduta”, disse o governador paulista em 20 de novembro.

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Durante sabatina da Folha de S.Paulo e do UOL, no último dia 28, quando a União Brasil desistira do acordo da terceira via, Doria afirmou não excluir nenhuma alternativa. Tebet havia dito que rejeitava a posição de vice.

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“Temos que ter o bom entendimento de que a prioridade é o Brasil, não nós. Eu não me priorizo e nem excluo nenhuma alternativa. Não estou fazendo críticas contra a Simone Tebet, mas a prioridade é o Brasil e os brasileiros, não é sequer meu partido, nem sequer o indivíduo”, disse.
Em dezembro, em entrevista ao portal Metrópoles, declarou que “os líderes partidários que advogam nesse centro democrático liberal social sabem que se entrarmos divididos nesta eleição, perderemos”.

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“Esse é um diálogo que vai se estender até abril. Certamente para buscar a melhor alternativa que é o fortalecimento em torno de uma candidatura de centro, não de muitas candidaturas de centro”, completou.

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“Haverá um juízo para se encontrar a melhor via. Em junho vamos ter essa concretude para que a terceira via possa ser expressada em um ou dois candidatos. Lembrando que Ciro Gomes [PDT] será candidato até o final”, disse em janeiro à TV Bandeirantes.

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Ainda em janeiro, em entrevista ao jornal Gazeta do Povo, Doria defendeu a unificação da terceira via em junho.

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“Vamos caminhar com as nossas candidaturas sabendo que, ao início de junho, poderemos fazer uma avaliação sobre as condições para a convergência em torno de uma candidatura para a presidência da República em nome dessa chamada terceira via”, disse.

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Também em janeiro, em uma live, Doria afirmou: “teremos que ter competência, discernimento, paciência e tranquilidade para construir uma opção, eu diria fortalecida, se possível com uma única candidatura”.

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“Não é algo obrigatório, mas é algo que faz sentido, já que temos dois extremos liderando a campanha”, completou.

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“Em nenhuma dessas reuniões [de partidos da terceira via] houve qualquer colocação, de qualquer partido e de qualquer candidato no sentido de que a prerrogativa fosse seu nome ou seu partido. O mais importante é a defesa do Brasil e dos brasileiros”, afirmou em entrevista à imprensa em 23 de março.