Novo golpe com Pix oferece descontos de 90% em dívidas; saiba como evitar

Nesta fraude, clientes se animam com possibilidade de quitar débitos e acabam perdendo dinheiro

Segundo a SSP-SP ainda não há uma classificação específica para este tipo de crime

Segundo a SSP-SP ainda não há uma classificação específica para este tipo de crime | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Oito em cada dez famílias brasileiras têm dívidas em atraso, segundo um levantamento realizado em setembro deste ano pela Confederação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo. E este cenário tem sido aproveitado por criminosos para um novo golpe: o falso pagamento de dívidas com desconto via Pix.

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O cliente recebe uma mensagem com uma oferta de quitação do débito, entra em contato com a central telefônica fraudulenta e acaba perdendo o valor pago na negociação.

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E os bandidos estão cada vez mais convincentes. É o que diz Carlos Afonso, Delegado da DCCIBER (Divisão de Crimes Cibernéticos), da Polícia Civil de São Paulo, em entrevista à Gazeta. Os criminosos conseguem facilmente se passar por bancos e financeiras, uma vez que têm acesso aos dados reais dos clientes.

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“Hoje você compra um banco de dados na darkweb muito facilmente porque estes dados vão sendo vazados. Essas pessoas [criminosos] vão fazendo banco de dados com [informações sobre] conta bancária, crédito, CPF, nome, telefone, [e] endereço”, explica.

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Como funciona o golpe

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Neste novo tipo de crime, a falsa central telefônica envia uma mensagem para o cliente do banco informando que, caso a dívida não seja paga, seus bens pessoais serão confiscados com “ordem de penhora”. Veja na imagem abaixo.

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Isabela Castro, de 56 anos, diz que chegou perto de ser vítima dessa fraude. Ela contou à Reportagem como quase perdeu R$ 5 mil para a falsa central de negociação de dívidas.

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“Recebi uma mensagem no meu celular dizendo que meus bens seriam penhorados caso eu não pagasse uma dívida que tenho no Bradesco”, lembra a aposentada, que pediu para usar um nome fictício. “Como eu realmente tenho uma pendência no banco, eu fiquei preocupada e liguei para saber o que estava acontecendo”.

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Golpe oferece 80% de desconto em dívidasGolpe oferece 80% de desconto em dívidas. Imagem: Arquivo pessoal
 

Isabela conta que, quando ligou para a tentar negociar a dívida, os falsos atendentes chegaram a ser ríspidos com ela, dizendo que a dívida estava em aberto há muitos anos e que o débito deveria ser pago no mesmo dia, via transferência Pix.

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Na falsa negociação, os criminosos disseram que a dívida se referia a um cheque que foi devolvido há muitos anos e que os juros fizeram com que o débito chegasse a mais de R$ 50 mil. Na oferta, propuseram à cliente um desconto de 90% sob o valor da dívida, mas sob a condição de que o pagamento fosse realizado imediatamente, sob ameaça de penhora de bens.

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Idosos são maior parte das vítimas

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O delegado do DEIC explica que a maioria das pessoas que são vítimas deste tipo de crime é composta por idosos. “Esse golpe de ‘você tem uma dívida e nós vamos negativar’, geralmente atinge mais as pessoas que têm mais de 65 anos de idade. Isso porque ela é um migrante digital, ela está chegando nesse mundo de telefonia agora”, esclarece Afonso.

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“Nunca se deve responder a estas mensagens”, emendou o chefe de uma das divisões regionais da Delegacia de Crimes Cibernéticos. A recomendação é a de que o cliente entre em contato apenas por meio dos canais oficiais de comunicação da instituição financeira, como o aplicativo do banco.

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Ausência de dados estatísticos

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A Gazeta solicitou à Secretaria de Segurança Pública paulista, dados estatísticos sobre este tipo de crime. Após recusa inicial, a Reportagem solicitou acesso às estatísticas por meio da Lei de Acesso à informação. Em resposta, a pasta informou que não existe, até o momento, uma classificação específica para este tipo de crime e por isso não existem dados detalhados sobre este golpe.

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De fato, um documento da Polícia Civil, criado para orientar quem é vítima de falsas negociações como estas, pede para que seja aberto um boletim de ocorrência com a classificação “outros crimes”.

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Segundo o delegado Carlos Afonso, este crime ainda é classificado como “estelionato” e a orientação para a população é sempre desconfiar de ofertas de negociações recebidas por ligações, mensagens e outros meios digitais.