Tecnologia e precarização do trabalho

As recentes mortes de motoristas por aplicativo registradas nas últimas semanas na região metropolitana de São Paulo deixam mais evidente a precariedade da situação de trabalho que esses profissionais vivem.

Em setembro, foram dez casos de violência envolvendo motoristas de aplicativo – desse total, uma mulher e cinco homens foram mortos. Analisando as histórias das vítimas, todas têm em comum a busca por uma renda frente a crise econômica que o País vive.

Dados do ano passado mostram que somente na capital paulista eram 150 mil motoristas por aplicativo, de acordo com a prefeitura da Capital. Atraídos pela promessa de se tornar um empreendedor, trabalhar por conta própria, ter horário flexível e retorno financeiro imediato, os motoristas se embrenham pela selva de pedra virando noites e encarando 10, 12 e até 18 horas de trabalho.

Na busca insana pelo dinheiro para cumprir metas e conseguir pagar as contas de todo
dia, ficam expostos ao estresse e à violência sem qualquer garantia de direitos e sem a fiscalização do Estado ou qualquer outra instituição. Os modelos de negócio denominados “sharing economy”, termo em inglês que significa economia colaborativa ou cultura de compartilhamento, incluem ainda os aplicativos de entrega que se multiplicaram rapidamente nas grandes cidades brasileiras com a adesão de milhares de pessoas (de bicicleta ou motocicleta) que viram o serviço precário como alternativa de
renda.

Denominados “parceiros cadastrados”, os trabalhadores não têm nenhum vínculo com as empresas para as quais prestam serviço e quando sofrem um acidente, são roubados ou em até casos extremos, mortos durante o trabalho, nem o Estado, nem nenhuma empresa é
responsabilizada.

Enquanto isso, a maior empresa de motoristas por aplicativo no Brasil faturou somente em 2018 959 milhões de dólares. Nesta mesma empresa não trabalham, mas prestam serviço, mais de 600 mil motoristas em mais de 100 cidades.

São Elvis, Marco Aurélio, Adriana, Robson, Osmar e tantos outros rostos anônimos que queriam uma oportunidade de emprego e acabaram entrando no ciclo exploratório, repetindo a sina do trabalhador que é sempre colocado em segundo plano em detrimento ao lucro de grandes grupos e empresas.