O termo “centrão”, na política, nasceu da escrita de um jornalista denominando um grupo de deputados federais que agiam em conjunto, independente de sigla. Foi em 1988, no período da Assembleia Constituinte. Com o passar dos anos, tornou-se o fiel da balança na política nacional.
Hoje, uma das suas maiores expressões é o deputado Arthur Lira (PP-AL), que foi reeleito presidente da Câmara dos Deputados. Lutar contra o centrão é o mesmo que uma pessoa comum entrar no ringue contra um campeão de MMA: irá perder.
Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente, para não sucumbir seu mandato, flertou e andou de braços dados com esse grupo.
Agora, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encontrou o seu primeiro desafio, e tentará negociar ao máximo para que uma comissão parlamentar de inquérito não seja aberta, tendo como objetivo apurar os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Os motivos são vários, alguns nobres ou pobres.
Primeiro todos sabem que uma CPI nasce de uma forma e não se sabe como termina. Nos atos de janeiro, houve certa influência de uma ala denominada direita, financiada por alguns empresários em conluio com parcela das tropas de segurança.
No caso, dois pontos frágeis, forças armadas e empresariado. Com o pessoal da farda, se a CPI avançar, azedará as relações do atual governo com a ala mais radical do Exército. Com os empresários, poderá nodoar relações com os parceiros apoiadores, inclusive com o agronegócio. E por fim, terá que ajustar o cinto no congresso, pois políticos também apoiaram o “golpe”. Universo ruim para esse início de governo.
Lula, agora, começará a perceber que governar o País em 2023 difere do seu primeiro mandato. Muitas das negociações políticas válidas, à época, não são mais aceitáveis. Lira está atualizado, com as cartas nas mãos, e será um grande aliado ou obstáculo, tudo dependerá da habilidade do atual governo.
