Caso Henry Borel: júri condena Jairinho e desclassifica acusação de homicídio contra Monique

Ex-vereador é sentenciado a 43 anos de prisão. Monique Medeiros tem pena por omissão extinta após juíza conceder perdão judicial

Ex-vereador Jairinho sentado durante julgamento no tribunal do júrio no RJ

Caso Henry Borel tem primeiro veredicto após 5 anos - Brunno Dantas/TJRJ

Cinco anos após a morte de Henry Borel, o Tribunal do Júri chegou ao primeiro veredicto do caso de 2021.

O Conselho de Sentença do 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou o ex-vereador Jairinho a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo, enquanto Monique Medeiros teve a acusação de homicídio doloso desclassificada pelos jurados.

A decisão foi anunciada na madrugada desta quinta-feira (4/6), após dez dias de julgamento, o mais longo da história recente do Tribunal do Júri fluminense.

Como ficaram as condenações

Jairinho foi condenado a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão. A pena reúne as condenações por homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.

Monique Medeiros foi condenada a 1 ano e 4 meses de detenção por omissão em relação à tortura sofrida pelo filho.

A juíza Elizabeth Machado Louro fixou o regime aberto e reconheceu que a pena já foi integralmente cumprida pelo período em que a professora permaneceu presa durante o processo.

Em relação ao homicídio, os jurados afastaram a acusação dolosa. A magistrada concedeu perdão judicial pelo homicídio culposo e extinguiu a punibilidade da ré.

A sentença também fixou uma indenização de R$ 400 mil por danos morais ao pai de Henry, Leniel Borel. O valor deverá ser pago exclusivamente por Jairinho.

Entendimento do júri

Ao definir a pena do ex-vereador, a juíza afirmou que Jairinho demonstrou uma “personalidade insidiosa, perfeitamente apta ao engano e à dissimulação” e destacou a condição de extrema vulnerabilidade da criança.

No caso de Monique, Elizabeth Machado Louro entendeu que a ré foi submetida, ao longo dos últimos cinco anos, a uma reação social “desproporcional e desmesurada”.

Na sentença, a magistrada afirmou que a cobrança dirigida à mãe foi marcada por preconceitos de gênero e declarou que, em uma situação semelhante, “fosse o pai e não a mãe, nem sequer teria sido ele processado”.

Os jurados também condenaram o médico Jefferson Evangelista Corrêa, assistente técnico da defesa de Jairinho, pelo crime de falsa perícia.

Relembre o caso Henry Borel

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos quatro anos de idade. Na madrugada daquele dia, Jairinho e Monique levaram a criança ao Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, alegando que o menino havia caído da cama.

Os exames periciais, no entanto, concluíram que a morte foi causada por uma hemorragia interna provocada por forte ação contundente. A reconstituição do caso apontou dezenas de lesões incompatíveis com um acidente doméstico.

A investigação da Polícia Civil sustentou que Henry morreu em decorrência das agressões praticadas por Jairinho e da omissão de Monique. Depois de cinco anos, o caso voltou ao centro das atenções com o início do júri popular ao final de março.

Caso deu origem à Lei Henry Borel

Entre a morte da criança e a conclusão do julgamento transcorreram 1.915 dias. Nesse período, o processo teve recursos, mudanças de estratégia das defesas e diferentes decisões envolvendo a prisão de Monique, enquanto Jairinho permaneceu detido.

A repercussão do caso também levou à criação da Lei Henry Borel, sancionada em 2022, que ampliou os mecanismos de proteção a crianças e adolescentes e tornou hediondo o homicídio praticado contra esse grupo.