Violência sem justificativa

Não há justificativa para uma ação policial em um local com 5 mil pessoas acabar em nove mortes. Não importa se era um grande show, uma manifestação política ou um baile funk. O que aconteceu em Paraisópolis foi uma ação desastrosa da Polícia Militar. Mais uma demonstração de como as forças policiais estão sendo cada vez mais incitadas para a violência por governantes como João Doria (PSDB), em São Paulo, e Wilson Witzel (PSC), no Rio, com intenções políticas. Com lideranças que terceirizam a violência para ganhar em marketing, perdem a polícia e a sociedade.

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Há quem defenda de forma irrestrita qualquer ação policial, por mais desastrada que seja. “Não gostou, chama o Batman” se tornou um lugar-comum dos defensores da violência estatal. A população precisa (e muito) da polícia, não dos maus policiais, ou de policiais sádicos. Por outro lado, há grupos que generalizam ao falar mal das forças policiais. Os soldados se arriscam diariamente, tomam atitudes heroicas, e são pouco reconhecidos por suas grandes ações. Os policiais paulistas estão entre os mais mal pagos do País. E permanecerão assim em 2020, apesar das promessas de campanha de Doria.

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De volta aos bailes funks, é uma meia-verdade dizer que estão sempre cheios por não haver outras opções culturais na periferia. O gênero se tornou um fenômeno cultural extremamente atraente aos jovens dessas regiões. A frase traz um certo elitismo, ao indicar que jovens de periferia só gostam de algo que nasceu dentro de favelas brasileiras porque a classe média não ofereceu outras opções “mais nobres”. Eles gostam justamente por ser um gênero artístico com o qual se identificam.

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Os bailes funks têm criminosos, têm traficantes de drogas, mas têm principalmente centenas de jovens que querem vestir a melhor roupa para se divertirem com os amigos em um sábado à noite. Qual é a festa da classe média paulistana com jovens, bebidas e músicas que não tem vendedores de drogas? A diferença é que os seus frequentadores não têm medo que a polícia possa lhe tirar a vida por isso.

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Há um problema objetivo nesses bailes: o barulho que atrapalha o sono de milhares de moradores das comunidades e do seu entorno. É nesse ponto que o governo deve agir. Organizar um local específico, com isolamento acústico, para as festas acontecerem. Não chegar atirando balas de borracha em garotas e garotos que não cometeram crime algum a não ser o de ter um gosto artístico parecido com o de boa parte dos jovens de periferia.