Cuidado! Problemas nos pés podem ser um alerta de doenças no fígado

Pés inchados, coceira e até rachaduras podem ser sinais de que algo no fígado não está bem

Problemas nos pés podem revelar doenças no fígado

Problemas nos pés podem revelar doenças no fígado | cnick por Pixabay

Os pés são grandes aliados da saúde. Alguns problemas que eles apresentam podem denunciar que algo não está bem, dando o alerta de que é hora de procurar um médico. Pés inchados, coceira e até rachaduras, por exemplo, podem ser sinais de doenças no fígado.

“Quando o fígado não está funcionando corretamente, ele pode afetar o equilíbrio de fluidos e a saúde da pele, o que pode se manifestar nos pés”, explica o médico hepatologista Isaac Altikes, do Hospital Santa Catarina Paulista.

A relação da saúde do fígado e os pés

Segundo Isaac, o inchaço nos pés, por exemplo, ocorre devido à dificuldade do fígado em produzir albumina, uma proteína que ajuda a manter os líquidos no corpo equilibrados.

“Quando a produção de albumina diminui, os líquidos se acumulam nas extremidades, como nos pés e tornozelos, causando edema”, diz o médico.

As rachaduras e o ressecamento da pele nos pés, por sua vez, podem ser um sinal de que o fígado não está conseguindo produzir bile adequadamente, o que, de acordo com Isaac, compromete a absorção de nutrientes essenciais para a saúde da pele.

Já a coceira nos pés pode ser causada pelo acúmulo de sais biliares na pele, um sintoma comum em condições como a cirrose e a colestase, problema em que o fígado não consegue excretar corretamente a bile.

Outros sintomas de doenças no fígado

Além dos sinais nos pés, doenças hepáticas podem se manifestar por meio de outros sintomas, como o amarelecimento da pele e dos olhos, conhecido como icterícia, um dos sinais mais evidentes de problemas hepáticos.

“Isso acontece quando o fígado não consegue processar corretamente a bilirrubina, um subproduto da decomposição das células vermelhas do sangue, levando ao acúmulo dessa substância no corpo”, comenta Isaac.

Outros sinais importantes são: mudanças nas fezes, como fezes claras ou de cor pálida; urina escura, devido ao excesso de bilirrubina sendo excretada pelos rins; dor abdominal, especialmente no lado direito superior, onde o fígado está localizado.

Vale citar ainda o cansaço extremo, fraqueza, náuseas e vômitos.

“Alguns pacientes podem ser assintomáticos, mas apresentar alterações em exames de sangue, que indicam problemas no fígado. Eventualmente, podem ter achados em exames de imagens também”, lembra a gastroenterologista Debora Poli, do Hospital do Servidor Público Estadual.

Devido à falta de sintomas em alguns pacientes, Debora ressalta a importância de manter os exames e a visita ao médico em dia.

As doenças no fígado mais comuns

Hepatites virais, hepatites medicamentosas, cirrose hepática, esteatose hepática, também conhecida como fígado gorduroso; e câncer de fígado, estão entre as doenças mais comuns.

Também merecem a atenção a colestase, na qual o fluxo de bile do fígado é interrompido; e a hemocromatose, caracterizada pelo acúmulo excessivo de ferro no fígado.

No que diz respeito ao tratamento, este varia de acordo com cada condição encontrada no fígado. Hepatites virais, por exemplo, têm tratamento específico para cada vírus causador das diferentes doenças.

Para a cirrose, o tratamento visa controlar os sintomas e retardar a progressão. No caso da esteatose hepática, mudanças no estilo de vida, como uma dieta saudável, controle do peso e exercício físico, são fundamentais.

“Não existe uma recomendação genérica para tratamento de doenças do fígado. Porém, a orientação médica é manter os exames e o check-up em dia para que os problemas sejam detectados precocemente e tão logo seja iniciado o tratamento”, ressalta Debora.

Estilo de vida saudável para prevenir doenças no fígado

Segundo os profissionais, a prevenção de problemas no fígado envolve principalmente a adoção de um estilo de vida saudável, com alimentação adequada, prática de atividade física regular, além do controle de peso adequado.

Para evitar a hepatite viral, é importante ainda a vacinação e o uso de precauções em situações de risco, como práticas sexuais seguras e evitar o compartilhamento de agulhas.

Manter um peso saudável e evitar o consumo excessivo de álcool são medidas importantes para prevenir a esteatose hepática e a cirrose.

É importante ainda evitar a automedicação e o uso excessivo de medicamentos sem orientação médica, visto que alguns medicamentos podem causar danos ao fígado.

“O fígado é um órgão fundamental para o bom funcionamento do corpo, e cuidar dele pode fazer grande diferença na saúde. Quem tem fatores de risco, como histórico de doenças hepáticas na família, deve manter acompanhamento médico regular para monitorar a função hepática”, finaliza Isaac.