Governo de SP não consegue atender 60% da demanda de obras em escolas

A secretaria de Educação de São Paulo registra neste ano 3.058 pedidos de manutenção e melhorias, de um total de 5.300 prédios Por Folhapress De São Paulo

Seis em cada dez escolas estaduais de São Paulo precisam de obras de manutenção e melhorias, mas o governo paulista não consegue atender nem ao menos metade dessa demanda. O orçamento para reformas e conservação das escolas caiu cerca de 75% desde 2014.

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A secretaria de Educação de São Paulo registra neste ano 3.058 pedidos de manutenção e melhorias, de um total de 5.300 prédios (onde estudam 3,8 milhões de alunos).

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A informação é da própria pasta, e foi encaminhada ao Ministério Público de Contas -ligado ao TCE (Tribunal de Contas do Estado).

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Questionada, a pasta afirma que executou ou ainda executa neste ano 1.300 obras, o que equivale a 42% do total pedido.

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O estado de SP foi governado de 2011 a abril deste ano por Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência. Vice do tucano desde 2015, Márcio França (PSB) assumiu o governo e disputa a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes.

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O volume reservado para obras escolares vem caindo ano a ano. A proporção executada desse orçamento previsto também segue em queda. No ano passado, foram previstos R$ 627 milhões para obras, mas somente 65% foram, de fato, pagos.

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Em valores atualizados pela inflação, o governo investiu com reformas R$ 1,73 bilhão em 2014. Neste ano, o orçamento é de R$ 427 milhões, menor também que o de 2017. Até setembro, foram gastos R$ 213 milhões (50%).

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Em contrapartida, de acordo com os dados da secretaria, o número de obras executadas cresceu em comparação a 2014, apesar de o número de escolas contempladas ter caído – a pasta não informa o tipo e o tamanho dessas obras.

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Uma das escolas que estão na fila por obras é a Eusébio de Paula Marcondes, em Interlagos, na zona sul. Uma sala de reunião de professores foi interditada e o teto está escorado por madeiras. A sala de aula logo acima também não é usada por segurança.

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Há rachaduras em corredores e o teto da secretaria tem ferragens expostas. A cesta de basquete da quadra não existe e o bebedouro está danificado.

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Funcionários relatam que a situação é a mesma há cerca de três anos. “A escola é grande, mas está detonada. Isso influencia no rendimento dos alunos e no trabalho dos professores”, diz o professor de história Claudinei de Souza, 53, na escola desde 2012.

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No Idesp (Índice de Desenvolvimento da Educação de São Paulo) de 2017, a escola ficou abaixo da média da rede e das escolas vizinhas nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio.

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A secretaria informou que nos últimos dois anos a unidade recebeu R$ 409 mil em reformas, finalizadas no primeiro semestre. Em nota, afirma que já foram aprovadas novas obras, incluindo as duas salas interditadas por segurança e que “serão iniciadas ao término do processo licitatório”.

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Pesquisas mostram que a precariedade da infraestrutura influencia negativamente o trabalho dos professores e o desempenho dos alunos.

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“Os alunos aprendem mais com um clima melhor”, explica a pesquisadora Adriana Ramos, do Gepem (Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral), ligado à Unesp.

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Há também 399 pedidos de obras para regularização contra incêndio e obtenção do Auto de Vistoria dos Bombeiros. A secretaria não informou quantas escolas estão regularizadas, mas consta que somente 15 receberam intervenção em 2017, segundo outro informe encaminhado após questionamentos do Ministério Público de Contas.

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As obras de adequação de acessibilidade para alunos com deficiência caíram de 121 em 2013 para 38 em 2017. Questionada, a secretaria informou que 51 escolas passam ou passaram por obras deste tipo neste ano – 28% das escolas da rede são acessíveis.

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O estado mais rico do país é governado pelo PSDB desde 1995. Alckmin sempre insistiu em entrevistas que as verbas para a educação são suficientes e que São Paulo investe 31% das receitas em educação. Mas o governo tem incluído nos últimos anos gastos com aposentados como sendo para manutenção de ensino.

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*Matéria produzida por Paulo Saldaña, da Folhapress