O carro utilizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em cerimônias oficiais foi fabricado oito anos antes da inauguração de Brasília e continua circulando mesmo depois de 74 anos.
Trata-se de um Rolls-Royce Silver Wraith de 1952, que chegou ao Brasil quando o Rio de Janeiro ainda era a capital federal.
O conversível inglês foi incorporado à frota presidencial em 1953, durante o governo de Getúlio Vargas. Desde então, participou de posses presidenciais, desfiles de Independência e recebeu autoridades internacionais.
Apesar das mais de sete décadas de existência, o veículo tem uma quilometragem considerada baixa para sua idade.
Registros divulgados anteriormente apontam cerca de 30 mil quilômetros rodados, resultado do uso restrito a cerimônias e pequenos deslocamentos de manutenção.
Rolls-Royce chegou ao Brasil antes de Brasília existir como capital
Quando o Silver Wraith desembarcou no Brasil, em 1953, a sede do governo federal ainda estava no Rio de Janeiro.
Brasília só seria inaugurada em 21 de abril de 1960, durante a presidência de Juscelino Kubitschek. Naquela época, o Rolls-Royce já havia participado de cerimônias oficiais e transportado dois presidentes.
O primeiro compromisso público do automóvel aconteceu em 1º de maio de 1953, quando Getúlio Vargas utilizou o veículo durante as comemorações do Dia do Trabalho, em Volta Redonda, no Rio de Janeiro.
Três anos depois, em 1956, Juscelino Kubitschek se tornou o primeiro presidente a utilizar o conversível durante uma cerimônia de posse.
O modelo continuou em atividade após a transferência da capital para Brasília e passou a integrar os desfiles realizados na Esplanada dos Ministérios.
Carro já transportou Lula, Bolsonaro e a rainha Elizabeth II
Ao longo das décadas, o Rolls-Royce presidencial foi utilizado por diferentes chefes de Estado.
Entre os ocupantes estão Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso, Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro e Lula.
O veículo também transportou autoridades estrangeiras que visitaram o Brasil, incluindo a rainha Elizabeth II, em 1968, e o ex-presidente francês Charles de Gaulle.
Outro passageiro foi o cosmonauta soviético Iuri Gagarin, conhecido por ter sido o primeiro ser humano a viajar ao espaço.
Em setembro de 2026, Lula voltou a utilizar o Silver Wraith durante o desfile da Independência, em Brasília, acompanhado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
Rolls-Royce presidencial custou o equivalente a sete Jaguar
O Silver Wraith foi escolhido para substituir veículos utilizados pela Presidência no início da década de 1950.
Na época, a compra envolveu uma encomenda de dois automóveis: uma limusine fechada e um conversível, que posteriormente se tornaria o modelo utilizado nas solenidades presidenciais.
Segundo levantamentos históricos sobre o veículo, o custo do conversível foi equivalente ao preço de aproximadamente sete unidades do Jaguar XK120, esportivo britânico comercializado naquele período.
O carro recebeu uma carroceria construída pela encarroçadora inglesa H. J. Mulliner, responsável pela configuração destinada às cerimônias oficiais.
Também foram instalados suportes para bandeiras, reforços estruturais e um velocímetro na parte traseira, permitindo que os ocupantes acompanhassem a velocidade durante os desfiles.
Uma curiosidade é que, apesar de o veículo ter transportado Elizabeth II, ele não foi um presente da rainha ao Brasil. A encomenda ocorreu durante o governo Vargas, antes da visita da monarca ao país.
Como funciona o carro presidencial de 74 anos?
O Rolls-Royce Silver Wraith utiliza um motor de seis cilindros em linha, configuração comum entre automóveis de luxo do período.
O conjunto mecânico foi desenvolvido com prioridade para conforto e suavidade de funcionamento, características valorizadas em veículos destinados ao transporte de autoridades.
O conversível possui carroceria de grandes dimensões, com acabamento interno em couro e madeira.
Outra característica é a capacidade para transportar até sete ocupantes, dependendo da configuração utilizada durante as cerimônias.
A placa também chama atenção. Em vez da identificação convencional de veículos, o Rolls-Royce utiliza uma placa verde e amarela com a inscrição “Presidente da República”.
Durante os mandatos de Dilma Rousseff, o texto chegou a ser alterado para “Presidenta da República”.
Como o Rolls-Royce continua funcionando depois de sete décadas?
A conservação do automóvel exige cuidados específicos, principalmente porque o carro passa longos períodos sem participar de cerimônias. O Silver Wraith passa por revisões preventivas uma ou duas vezes por ano.
Além disso, uma rotina de conservação prevê pequenos deslocamentos de aproximadamente 20 minutos por semana, para manter os componentes mecânicos em funcionamento.
O automóvel também passou por uma restauração em 2001, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, que incluiu intervenções na carroceria e no interior.
A quilometragem gira em torno de 30 mil quilômetros, embora não haja uma leitura atualizada do hodômetro confirmada para 2026.
Mesmo com a evolução dos automóveis presidenciais e das tecnologias de segurança, o Rolls-Royce Silver Wraith continua reservado para ocasiões especiais, mantendo uma tradição iniciada na década de 1950.







