SUS passa a oferecer nove medicamentos de alta tecnologia para tratar diferentes tipos de câncer

Tratamentos contemplam 13 indicações de câncer, incluindo tumores de mama, próstata, pulmão e rim; Ministério da Saúde prevê beneficiar mais de 116 mil pacientes

De acordo com o Ministério da Saúde, alguns dos medicamentos já estavam incorporados ao SUS, mas ainda não eram efetivamente disponibilizados nos serviços de saúde.(Foto: Remedios-Nataliya-Vaitkevich-Pexels)

O Sistema Único de Saúde (SUS) começou a oferecer nove medicamentos oncológicos de alta tecnologia para o tratamento de diferentes tipos de câncer. A medida, anunciada pelo Ministério da Saúde neste mês, contempla 13 indicações terapêuticas e tem previsão de beneficiar mais de 116 mil pessoas.

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Segundo o governo federal, a disponibilização dos medicamentos começa em 20 centros de tratamento distribuídos pelas cinco regiões do país. A expectativa é que a oferta seja ampliada para os demais serviços oncológicos do SUS até o fim do ano.

A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas e busca ampliar o acesso a tratamentos considerados importantes para a sobrevida e a qualidade de vida dos pacientes. De acordo com o Ministério da Saúde, alguns dos medicamentos já estavam incorporados ao SUS, mas ainda não eram efetivamente disponibilizados nos serviços de saúde.

Quais são os nove medicamentos contra o câncer oferecidos pelo SUS?

A lista reúne medicamentos destinados a diferentes tipos de tumor e situações clínicas. A indicação depende das características da doença e da avaliação da equipe médica.

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Confira os nove medicamentos e as indicações divulgadas pelo Ministério da Saúde:

  • Trastuzumabe: câncer de estômago ou da junção esofagogástrica. O medicamento já era utilizado no SUS para câncer de mama, e a novidade é a ampliação para essa indicação.
  • Abemaciclibe: câncer de mama precoce com receptores hormonais positivos, HER2 negativo e comprometimento dos linfonodos, além de casos avançados ou metastáticos.
  • Acetato de lanreotida: tumores neuroendócrinos.
  • Pazopanibe: câncer renal metastático de células claras.
  • Rituximabe: leucemia linfocítica crônica em primeira linha, linfoma folicular e linfoma difuso.
  • Abiraterona: câncer de próstata resistente à hormonioterapia, não metastático ou metastático, e câncer de próstata metastático sensível à hormonioterapia.
  • Gefitinibe: câncer de pulmão de células não pequenas em primeira linha.
  • TSH recombinante (alfatirotropina): câncer diferenciado de tireoide em situações com indicação de tratamento com iodo radioativo.
  • Sunitinibe: câncer renal metastático de células claras e tumor estromal gastrointestinal (GIST) avançado ou metastático após falha ao tratamento com imatinibe.

A inclusão dos medicamentos não significa que todos os pacientes com esses tipos de câncer poderão receber qualquer um dos tratamentos. A escolha depende do diagnóstico, do estágio da doença, das características do tumor e dos critérios clínicos aplicáveis a cada indicação.

Como os novos medicamentos podem ajudar os pacientes?

Os tratamentos atuam de maneiras diferentes no organismo e são utilizados conforme o tipo de tumor e o perfil de cada paciente. Entre os benefícios esperados estão o aumento da sobrevida e a melhora da qualidade de vida.

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Algumas indicações também contemplam o tratamento após uma cirurgia, quando não há sinais visíveis do tumor, com o objetivo de reduzir o risco de retorno da doença.

Um dos medicamentos citados pelo Ministério da Saúde é o abemaciclibe, indicado para determinados casos de câncer de mama. Segundo a pasta, o produto pode custar até R$ 366 mil na rede privada, o que evidencia o peso financeiro que tratamentos de alta tecnologia podem representar para pacientes e famílias.

Outro exemplo é o trastuzumabe, que passa a ter uma indicação ampliada na rede pública para pacientes com câncer de estômago ou da junção esofagogástrica.

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Quando os medicamentos estarão disponíveis em todo o Brasil?

A oferta começou em 20 centros de tratamento localizados em 17 unidades da Federação: São Paulo, Paraná, Bahia, Ceará, Pernambuco, Piauí, Pará, Amazonas, Rio de Janeiro, Paraíba, Distrito Federal, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Rio Grande do Sul, Tocantins e Sergipe.

O Ministério da Saúde prevê expandir a disponibilização para os demais centros oncológicos do SUS até o fim de 2026. Por isso, a presença de um medicamento na lista nacional não significa necessariamente que ele já esteja disponível em todas as unidades de saúde.

Pacientes em tratamento devem conversar com a equipe de oncologia responsável pelo acompanhamento para verificar se o medicamento é indicado para o caso e como será organizada a oferta no serviço de referência.

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SUS prevê 23 novos medicamentos oncológicos até o fim do ano

A inclusão dos nove medicamentos faz parte de uma iniciativa mais ampla do Ministério da Saúde. A pasta prevê chegar a 23 novos fármacos oncológicos disponibilizados na rede pública até o fim de 2026, ampliando em 35% as alternativas de tratamento.

Segundo o governo, a estratégia envolve diferentes formas de aquisição e financiamento: compra direta de medicamentos, negociações para aquisição pelos estados e ampliação de repasses para custear tratamentos nos serviços oncológicos.

O impacto financeiro estimado para viabilizar a oferta dos 23 medicamentos é de R$ 4 bilhões por ano. Já a aquisição dos nove medicamentos desta etapa representa um custo anual estimado em R$ 155,4 milhões.

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As medidas fazem parte do programa Agora Tem Especialistas, lançado em 2025, que busca ampliar a capacidade de atendimento especializado e reduzir o tempo de espera por diagnóstico e tratamento no SUS.