A China adota uma medida de segurança ao determinar o fim das maçanetas eletricamente retráteis em automóveis. A partir de janeiro de 2027, montadoras deverão equipar veículos com sistemas mecânicos de abertura, por dentro e por fora das portas.
A decisão atinge todos os carros de até 3,5 toneladas e busca reduzir o risco de pessoas ficarem presas após acidentes. A medida também responde a críticas de especialistas e cresce como novo padrão para a indústria automotiva global.
Razões por trás da decisão regulatória
As autoridades, por meio do ministério responsável pela indústria, identificaram falhas importantes nas maçanetas retráteis. Quando há perda de energia durante um acidente, o mecanismo deixa de funcionar, impedindo que as portas sejam abertas com rapidez.
Esse comportamento cria uma barreira para a saída de ocupantes e para o acesso de equipes de resgate. Em situações de colisão grave ou incêndio, cada segundo conta, o que torna esse tipo de sistema um ponto crítico de segurança.
Alertas de segurança de especialistas
Organizações de defesa do consumidor e entidades ligadas à segurança veicular alertam para o problema há algum tempo. O tema ganhou força após testes e relatos de emergência envolvendo veículos com maçanetas embutidas e dependentes de motores elétricos.
Como destacou a ADAC: “Na resgate de passageiros de um veículo envolvido em acidente, é fundamental que profissionais de primeiros socorros consigam abrir o automóvel de forma rápida e simples. Ainda mais importante é quando o veículo está em chamas. Maçanetas retráteis podem tornar essa tarefa consideravelmente mais complicada e demorada”.
Problemas documentados em 2024
Em 2024, o número de reclamações sobre maçanetas retráteis cresceu de forma expressiva. Motoristas relataram portas que não abriam após batidas, falhas no destravamento e acionamento irregular do sistema em situações cotidianas.
Também foram registrados casos de dedos de crianças presos no mecanismo e de maçanetas travadas em dias de frio intenso. Esses episódios mostraram que o problema não se limita à perda de energia, mas envolve o próprio desenho da solução.
Reação da indústria automotiva
Montadoras como BMW, Ford, Jaguar, Hyundai, Mercedes-Benz e Tesla adotaram maçanetas retráteis em modelos recentes. Com a nova regra, essas empresas terão de rever plataformas, projetos de portas e soluções de acesso ao veículo.
Alguns fabricantes já se antecipam com alternativas que mantêm parte da estética, mas acrescentam acionamento mecânico de emergência. Há casos de projetos em que a maçaneta se projeta automaticamente em colisões ou falhas elétricas, permitindo a abertura manual.
Perspectivas futuras para a indústria
A norma chinesa tende a influenciar outros mercados e organismos de teste. Em avaliações de colisão lateral, dados de segurança mostram que maçanetas eletrônicas conseguem garantir abertura em proporção menor que as peças tradicionais.
Enquanto sistemas mecânicos alcançam índices próximos de 98% de sucesso na abertura após impacto, os modelos eletrônicos ficam por volta de 67%. Essa diferença reforça a leitura de que o ganho de design não compensa o risco criado para passageiros e equipes de resgate.


