Substituir carros a combustível por modelos elétricos pode evitar 9 milhões de mortes prematuras e economizar bilhões na saúde pública e privada até 2050. Estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) revela que acelerar a frota de emissão zero é a medida mais eficiente e rentável para combater a poluição urbana.
Para São Paulo, que sofre com o trânsito pesado e a contaminação do ar, a transição promete alívio direto na rede pública de saúde e na qualidade de vida dos moradores.
A ICCT destaca que os benefícios da mobilidade elétrica ultrapassam as metas de descarbonização do planeta. A eliminação progressiva dos escapamentos nas grandes metrópoles reduz a concentração de poluentes atmosféricos e diminui drasticamente a incidência de infartos, acidentes vasculares cerebrais, crises de asma e câncer de pulmão.
Nas capitais e regiões metropolitanas, onde o tráfego intenso eleva a exposição diária à poluição, a mudança no perfil da frota resulta em alívio imediato para os hospitais.
Fim da fumaça de combustível pode barrar surto de doenças respiratórias
A retirada de circulação de veículos a combustão reduz a emissão de material particulado fino e óxidos de nitrogênio, substâncias diretamente ligadas ao aumento das internações por doenças cardiorrespiratórias.
Com uma frota predominantemente de emissão zero, a tendência é a queda na necessidade de tratamentos contínuos e a redução dos afastamentos do trabalho por incapacidade médica, diminuindo as perdas de produtividade e gerando alívio financeiro para os cofres públicos e para as empresas.
No Brasil, os efeitos da má qualidade do ar impactam diretamente as estatísticas de saúde. Dados do Ministério da Saúde associam a poluição atmosférica a mais de 50 mil mortes por ano no país, além do aumento da morbidade por doenças respiratórias crônicas.
O estudo do ICCT ressalta que avanços pontuais em motores a combustão e combustíveis mais limpos ajudam a mitigar os danos, mas não entregam os mesmos benefícios acumulados proporcionados pela frota 100% elétrica.
COP30: Brasil está na frente para acelerar a frota elétrica
Apesar do recorte global, o levantamento coloca o Brasil em posição de destaque devido à sua matriz elétrica predominantemente limpa e renovável.
Diferente de países que ainda dependem da queima de carvão ou gás para gerar eletricidade, a eletrificação do transporte no território nacional maximiza os ganhos ambientais do poço à roda, garantindo que o carregamento das baterias aconteça com baixa emissão de carbono.
O debate ganha força estratégica em 2026, ano que o Brasil exerce a Presidência da COP30 até a realização da COP31. A eletrificação de ônibus urbanos, caminhões de entrega e frotas leves deixa de ser apenas uma meta ambiental e passa a ser tratada como investimento em saúde pública, produtividade e atração de capital privado para a infraestrutura de recarga. Acelerar essa transição nos grandes centros urbanos garante benefícios sociais e econômicos que se multiplicarão até 2050.





