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Witzel acaba com incentivo à redução de mortes por policiais

O governador Wilson Witzel (PSC) acabou com o incentivo à redução de mortes por policiais no Rio de Janeiro. A mudança ocorre três dias após o assassinato da menina Ágatha Félix, 8, e no mesmo dia em que ele defendeu sua política de enfrentamento na segurança pública.

Em um decreto assinado na segunda, o ex-juiz retirou os óbitos por intervenção policial, que ocorrem quando os agentes estão em serviço, do cálculo de um bônus salarial oferecido a policiais militares e civis de batalhões e delegacias que reduzirem certos índices de criminalidade em suas áreas.

É o chamado Sistema Integrado de Metas (SIM), em vigor desde 2009 e criado na gestão de Sérgio Cabral (MDB). Até esta segunda, as gratificações eram calculadas a partir dos seguintes índices, que têm diferentes pesos: 1. homicídio doloso (intencional); 2. homicídio decorrente de oposição à intervenção policial; 3. latrocínio; 4. lesão corporal seguida de morte; 5. roubos de veículos; e 6. roubos de rua (a transeuntes, em coletivos e de celulares).

Agora, saem os homicídios por policiais e entram os roubos de carga. Procurado, o governo Witzel ainda não comentou o porquê da medida. Também não respondeu qual é o valor máximo de bônus que um agente pode receber hoje. "Vemos essa desfiguração do sistema com muita preocupação, ainda mais num contexto em que o governo diz que vai tolerar mortes por policiais", diz o cientista político Pablo Nunes, pesquisador da Universidade Cândido Mendes que acompanha esses números há dez anos.

"Ainda que o SIM não seja uma política muito visível, tem um papel importante", afirma. "O período em que o Rio teve a maior redução da criminalidade, por volta de 2012, foi justamente quando o sistema era muito mais forte, junto com as UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora]."
(FP)

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