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O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante seu segundo dia de depoimento na CPI da Pandemia nesta quinta-feira
O ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, durante seu segundo dia de depoimento na CPI da Pandemia nesta quinta-feira
Foto: Frederico Brasil/Futura Press/Folhapress

Pazuello afirma que não é o 'único responsável' pela situação atual na pandemia

O ex-ministro também negou que tivesse suspendido a divulgação de dados de mortos pela Covid-19 por causa dos altos números

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello afirmou nesta quinta-feira (20) que todos os gestores, em todos os níveis, são responsáveis pela situação atual do Brasil em relação à pandemia da Covid-19. O ex-ministro foi questionado na CPI da Covid-19 pela senadora Leila Barros (PSB-DF), de uma maneira provocadora, que acabou despercebida pelo depoente. "É o único ou principal responsável pelo desastre sanitário que enfrentamos hoje?", questionou a senadora.

"É claro que não, não estou dizendo que sou o único responsável", respondeu Pazuello. "Todos os gestores são responsáveis, cada um no seu nível de responsabilidade. Se a senhora perguntar, 'há responsabilidade em todos os níveis?', claro que há, cada um em seu nível", respondeu.

Divulgação de dados.

Ainda nesta tarde, Pazuello negou que tivesse suspendido a divulgação de dados de mortos pela Covid-19 por causa dos altos números ou mesmo que isso tenha sido um pedido do presidente Jair Bolsonaro.
Pazuello afirmou que havia problemas de processamento dos dados das secretarias estaduais de Saúde.

"Essas informações chegavam truncadas, no fim do dia. Aquilo foi causando um incômodo, a gente não conseguia fazer [o balanço] até 17h, 18h, 19h, 20h", disse o ex-ministro. "A verdade é que a gente não conseguia fechar os dados da pandemia antes de um sistema." Pazuello então disse que a suspensão na divulgação dos dados se deu por apenas três dias, para a migração de sistemas. E que isso foi informado ao STF (Supremo Tribunal Federal), em processo aberto para investigar falta de transparência.

A falta de divulgação dos números motivou a criação do consórcio de veículos de imprensa que passou a colher os dados com as secretarias estaduais de saúde e divulgar seu próprio balanço.

Negociação com a Pfizer.

Ainda durante depoimento, Pazuello negou que sua gestão tenha ignorado as ofertas de venda de vacinas da Pfizer, afirmando que manteve pressão sobre a empresa para que mudasse as cláusulas impostas.

Pazuello repetiu diversas vezes em sua gestão que a Pfizer impôs cláusulas leoninas, como imunidade para eventuais efeitos colaterais da vacina, aceitar só ser julgada nos Estados Unidos e garantia de pagamento em instituições no exterior. "Foi constante a pressão para que se reduzisse as cláusulas", afirmou Pazuello, que completou que os brasileiros não são "caloteiros".

"A minha posição com a Pfizer era que ela flexibilizasse para o Brasil, porque não tínhamos lei para isso", afirmou. O ex-ministro voltou a afirmar que havia proposto mudança na legislação, mas os departamentos jurídicos dos outros ministérios foram contrários, afirmando que a iniciativa deveria partir do Congresso.

Pazuello então afirmou acreditar que uma proposta de Medida Provisória para alterar a legislação e permitir ao poder público assumir as responsabilidades impostas pelos laboratórios nem chegou à mesa do presidente Jair Bolsonaro.


'Missão cumprida'

Ainda nesta quinta, Pazuello tentou esclarecer a sua fala do dia anterior, quando afirmou que deixou a pasta por ter cumprido a sua missão. "Só para esclarecer que, quando um oficial, da polícia militar ou do Exército, recebe uma missão, como por exemplo combater uma gangue, uma facção, a missão dele não é acabar com o crime organizado. É uma fatia da missão que ele cumpre e depois retrai", disse.

"Então a compreensão de missão é muito militar. Por isso que as pessoas talvez não tenham compreendido quando eu disse missão cumprida. [Me referia à] minha fatia da missão, daquele pedaço, daquele momento, não à missão completa e ampla de combater a pandemia no país, entregar um país pronto, limpo", completou.

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