A recomendação das autoridades da saúde e do governo sobre o distanciamento social, para conter a proliferação do novo coronavírus (Covid-19), não está sendo respeitada em alguns bairros da periferia de São Paulo. Nestes locais é comum ver muitas pessoas nas ruas, ônibus, pontos de ônibus, mercados, lotéricas e bancos lotados e comércios não essenciais abertos.
O governo de São Paulo decretou quarentena em todo o Estado no dia 24 de março, e a prorrogou até o dia 22 de abril. Durante este período só está permitida a abertura de, por exemplo, hospitais, mercados, farmácias, açougues, postos de combustíveis, padarias, feiras livres, oficinas e lojas de produtos de animais. A medida tem o objetivo de reduzir a circulação de pessoas e evitar aglomerações, porém, atualmente o isolamento social no Estado é de 54%, quando o ideal seria 70%, de acordo com o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência do Coronavírus.
Segundo Uip, se a adesão ao isolamento social não aumentar o estado de São Paulo terá dificuldades com o número de leitos de hospitais para os doentes pela Covid-19.
Apesar do alerta do infectologista, as ruas e comércios do bairro Jardim João XXIII, na região da Raposo Tavares, zona oeste da Capital, estão bem movimentados. Muitos idosos, considerados grupos de riscos, continuam indo a mercados, feiras e frequentando praças.
“Na feira as pessoas continuam sentando para comer pastel, todos um perto do outro, mesmo com as notícias alertando para evitar aglomeração”, reclama Nonata da Silva, moradora do bairro.
Além disso, em alguns mercados do bairro não há os cuidados necessários, como álcool gel para os clientes higienizarem as mãos e também não há respeito na distância necessária nas filas.
Na zona leste da cidade, os mercados também estão lotados e há até academia aberta.
“Aqui tem alguns lugares que respeitaram as primeiras semanas da quarentena, mas desde semana passada estão abertos de novo. Por exemplo, academia e barbearia”, diz Talita Cruz, moradora da Chácara Califórnia, região do Tatuapé. Segundo ela, a academia deixa apenas uma porta aberta, para não chamar atenção.
Já na Vila Carmosina, em Itaquera, as pessoas não estão usando máscaras e há bares e salões de beleza funcionando.
“Fui ao mercado de máscara, fiquei um pouco revoltado quando vi que só tinha eu e mais umas 3 pessoas de máscara. O mercado devia ter mais de 100 pessoas”, conta Daniel Prado. Ainda segundo Daniel, no bairro existem bares abertos e alguns salões de beleza funcionando de porta fechada.
CASOS NOS BAIRROS.
De acordo com o último boletim divulgado pela Prefeitura de São Paulo, até o dia 31 de março, as regiões da cidade com mais casos confirmados do novo coronavírus eram Alto de Pinheiros, na zona oeste, com 284, seguida de Vila Mariana/ Jabaquara, na zona sul, com 90. Segundo o boletim, apenas Guaianases e Itaim Paulista não tem notificação de casos.
A Administração observa que, apesar das regiões periféricas da cidade terem casos bem menores do que as do centro expandido, é necessário respeitar o distanciamento social para evitar que as contaminações da Covid-19 cheguem nas regiões mais pobres e de mais vulnerabilidade.
