Câmara de Curitiba cassa mandato de petista que invadiu igreja

Os vereadores entenderam que houve quebra de decoro parlamentar do vereador Renato Freitas

Renato Freitas

Renato Freitas | Carlos Costa/CMC

O vereador Renato Freitas (PT) teve o mandato cassado pela Câmara de Curitiba, em votação em segundo turno nesta quarta-feira (22). Por 25 votos favoráveis e cinco contrários, além de duas abstenções, o petista agora perde os direitos legislativos e será substituído pela suplente Ana Julia Ribeiro (PT).

Continua após a publicidade

Os vereadores entenderam que houve quebra de decoro parlamentar de Freitas pela participação em manifestação que invadiu uma igreja católica.

Continua após a publicidade

Assim como no primeiro turno, na véspera, Freitas não estava presente na sessão.
A defesa do petista diz que vai recorrer da decisão, que considera ilegal. “Houve violação de prerrogativas óbvias e iremos entrar com mandado de segurança”, adianta o advogado Guilherme Gonçalves.

Continua após a publicidade

“A OAB acatou nosso pedido de defesa de prerrogativas e vai dar assistência neste mandado de segurança pela violação de prerrogativas óbvias.”

Continua após a publicidade

O embate legal se baseia no regimento interno e no relatório do Conselho de Ética, que pedia a cassação por quebra de decoro parlamentar por perturbar o culto e liderar o protesto. Segundo entendimento dos vereadores, Freitas foi o líder da manifestação política dentro do templo.

Continua após a publicidade

A defesa questiona a rapidez com que foi convocada a sessão especial, menos de 24 horas antes. “Essa celeridade da presidência dessa Câmara de Vereadores, a enunciar um indisfarçável, lamentável e evidente animus político de perseguição contra o requerente, faz inveja aos piores momentos de perseguições encetadas contra parlamentares”, afirma Gonçalves.

Continua após a publicidade

Freitas acusa os colegas da Câmara de racismo. A questão foi citada tanto por vereadores contra a cassação quanto por parlamentares a favor, como Alexandre Leprevost (Solidariedade). “Não se trata de racismo. Não concordo com a forma distorcida que algumas pessoas têm usado contra esta Casa. Acusar de forma leviana colegas de trabalho de um crime é outro crime”, disse.

Continua após a publicidade

A vereadora Carol Dartora (PT) rebateu. “Percebemos como a sociedade demora a entender sobre o racismo institucional que opera cotidianamente para nos tirar da estrutura de poder, e isso é nítido aqui, vejam quantos vereadores negros temos aqui”, afirmou na sessão.

Continua após a publicidade

Segundo ela, houve situações bem mais graves na Câmara de Curitiba que não foram punidas com cassação, como denúncias de assédio sexual e de rachadinha -desvio do salário de funcionários.

Continua após a publicidade

“A violência política é conhecida em todo cenário nacional. O contexto é de silenciar o contraditório, aqueles que defendem projetos que incluem a diversidade e combinam com o que realmente é o Brasil.”