Com Mongaguá na liderança, três cidades da Baixada Santista registram maiores índices de crimes em todo o estado de SP

Levantamento da plataforma "Crime Brasil" aponta as cidades de Peruíbe, Itanhaém, além da Grande São Paulo, como top 3 regiões com mais crimes no estado

Há 61 praias impróprias ao contabilizar todo o litoral de São Paulo

Vista aérea da cidade de Mongaguá / Dyego Gonçalves / PMM

Um novo levantamento da plataforma “Crime Brasil” identificou que a cidade de Mongaguá, no litoral sul, é a cidade com maior índice de crimes de um modo geral em todo o estado de São Paulo. Em seguida, aparecem Peruíbe e Itanhaém, locais que também fazem parte da Baixada Santista, e a Grande São Paulo, empatados tecnicamente.

Continua após a publicidade

O levantamento leva em conta as ocorrências a cada 100 mil habitantes e foi extraído entre maio de 2025 de abril de 2026 por meio de dados divulgados pela SSP (Secretaria de Segurança Pública de São Paulo).

Ao todo, São Paulo registrou, em média, 2.428,7 crimes por 100 mil habitantes ao longo do período analisado. Segundo os dados, 7 das 10 cidades no top 10 estão localizadas em regiões de praia.

Confira o mapa com os dados:

Gráfico 1 — As 10 cidades com mais ocorrências por 100 mil habitantes
Todos os crimes registrados pela SSP-SP entre mai/25 a abr/26, por 100 mil moradores. Municípios com 50 mil habitantes ou mais.
#MunicípioRegiãoOcorrências por 100 mil hab.Ocorrências (12 meses)Verão / inverno
1Mongaguálitoral · 64.519 hab.Ocorrências por 100 mil hab.4.460,7Ocorrências (12 meses)2.878Verão / inverno1,32×
2=Peruíbelitoral · 70.543 hab.Ocorrências por 100 mil hab.3.916,8Ocorrências (12 meses)2.763Verão / inverno1,16×
3=Itanhaémlitoral · 117.435 hab.Ocorrências por 100 mil hab.3.906,8Ocorrências (12 meses)4.588Verão / inverno1,24×
4=São PauloGrande SP · 11.895.578 hab.Ocorrências por 100 mil hab.3.809,6Ocorrências (12 meses)453.173Verão / inverno0,96×
5Praia Grandelitoral · 365.577 hab.Ocorrências por 100 mil hab.3.341,8Ocorrências (12 meses)12.217Verão / inverno1,11×
6=Bertiogalitoral · 66.873 hab.Ocorrências por 100 mil hab.2.797,8Ocorrências (12 meses)1.871Verão / inverno1,17×
7=Ubatubalitoral · 96.598 hab.Ocorrências por 100 mil hab.2.746,4Ocorrências (12 meses)2.653Verão / inverno1,54×
8=Campinasinterior · 1.185.977 hab.Ocorrências por 100 mil hab.2.635,2Ocorrências (12 meses)31.253Verão / inverno0,97×
9=Santo AndréGrande SP · 778.711 hab.Ocorrências por 100 mil hab.2.634,1Ocorrências (12 meses)20.512Verão / inverno0,92×
10=São Vicentelitoral · 338.407 hab.Ocorrências por 100 mil hab.2.611,9Ocorrências (12 meses)8.839Verão / inverno1,01×
Todos os crimes registrados, divididos pela população residente. O estado inteiro marca 2.428,7 por 100 mil. 7 das 10 são cidades de praia — e a última coluna mostra por quê: no verão elas registram muito mais que no inverno, enquanto o estado fica parado (0,98×). Quem chega no verão entra na conta de cima (as ocorrências) e não entra na de baixo (os moradores). = marca empate técnico: 2ª a 4ª (3.809,6 a 3.916,8); 6ª a 7ª (2.746,4 a 2.797,8); 8ª a 10ª (2.611,9 a 2.635,2). Nessas faixas a diferença entre as cidades é menor que a margem do próprio dado — a ordem interna não deve ser lida como classificação.
Fonte: Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SPDadosCriminais), mai/25 a abr/26. População: IBGE, estimativa 2024.
Análise e gráfico: Crime Brasil · crimebrasil.com.br

Mongaguá registrou 2.878 crimes na região

Na liderança do período analisado entre as cidades de São Paulo, Mongaguá registrou 2.878 ocorrências entre maio de 2025 e abril de 2026. A população local é de cerca de 64 mil pessoas.

Continua após a publicidade

A maior parte dos crimes no local ocorre no período de verão, que possui 1,32 casos de ocorrência registrada quando comparado ao inverno.

Peruíbe, Itanhaém e Grande São Paulo completam o top 3

O levantamento do “Crime Brasil” identificou ainda que há um empate técnico entre três regiões do estado ocupando da 2ª à 4ª posição no ranking, de acordo a métrica de 100 mil habitantes por crime registrado.

Peruíbe, que tem uma população de cerca de 70 mil pessoas, aparece com 2.763 casos registrados no período analisado e 1,16x de ocorrência no verão quando comparado ao inverno.

Continua após a publicidade

Itanhaém, com população estimada em 117 mil habitantes, registrou 4.588 casos e 1,24x de ocorrência do verão sobre o inverno.

Completando a lista está a Grande São Paulo, formada pela capital e região que faz divisa com a cidade, com quase 12 milhões de habitantes, com 453.173 casos registrados no período, com apenas 0,96x crimes a mais no verão quando comparado ao inverno.

O empate técnico ocorre porque os números divergem até 3,7%, em que qualquer par de cidades dentro dessa margem pode trocar de lugar sem que nada tenha mudado, segundo o Crime Brasil.

Continua após a publicidade

O que diz a SSP

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que não comenta estudos com metodologia ao qual o órgão desconhece. Vale lembrar que todos os dados foram extraídos da própria SSP.

Confira a nota na íntegra:

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) não comenta estudos cuja metodologia desconhece e reforça que a comparação entre cidades distintas não é correta do ponto de vista estatístico, pois cada município possui características geográficas e sazonais únicas. A análise dos indicadores criminais deve considerar também o perfil populacional, a dinâmica de circulação de pessoas e as características territoriais de cada localidade.

A pasta monitora permanentemente os índices criminais e direciona as ações das forças de segurança conforme as particularidades de cada região. Na área da Seccional de Itanhaém, responsável pelos municípios citados, o primeiro semestre de 2026 registrou queda de 18,8% nos furtos e de 19,5% nos roubos, na comparação com o mesmo período de 2025. Os furtos de veículos caíram 12% e os roubos de veículos, 21,4%.

No período, as forças de segurança também apreenderam 53 armas e 280,1 quilos de drogas, recuperaram 175 veículos e prenderam ou apreenderam 1.444 infratores. Os resultados refletem o trabalho integrado das polícias Civil e Militar, com emprego de policiamento ostensivo, inteligência e investigação para prevenção e repressão aos crimes.