Inflação de abril fica em 1,06% e atinge 12,13% em 12 meses

Em março de 2022, o IPCA já havia pesado no bolso dos brasileiros, atingindo o maior patamar em 28 anos e subindo 1,62%

A queda vem após uma sequência de altas dos preços.

Dinheiro (ilustração) | José Cruz - Agência Brasil

A inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – Amplo) bateu em 1,06% em abril, segundo informou nesta quarta-feira (11) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Continua após a publicidade

É a maior variação para o mês desde 1996. Em 12 meses até abril, a inflação ficou em 12,13%, maior patamar desde outubro de 2003 (13,98%). Em março de 2022, o IPCA já havia pesado no bolso dos brasileiros, atingindo o maior patamar em 28 anos e subindo 1,62%.

Continua após a publicidade

Em abril, os principais impactos vieram de alimentação e bebidas (2,06%) e dos transportes (1,91%). Juntos, os dois grupos contribuíram com cerca de 80% do IPCA de abril.

Continua após a publicidade

O resultado para o mês veio em linha com o esperado por analistas do mercado. Aqueles ouvidos pela agência Bloomberg esperavam alta de 1,01%, na comparação mensal, e de 12,07% na anual.

Continua após a publicidade

Em alimentos e bebidas, a alta foi puxada pela elevação dos alimentos para consumo no domicílio (2,59%). O leite longa vida teve alta de 10,31%. Também houve aumento em itens, como a batata-inglesa (18,28%), o tomate (10,18%), o óleo de soja (8,24%), o pão francês (4,52%) e as carnes (1,02%).

Continua após a publicidade

Para o óleo de soja, o resultado está mais relacionado à alta das commodities, que acaba influenciando nos custos de produção. Nos alimentos in natura, como a batata-inglesa e o tomate, houve problemas de colheitas, explica o pesquisador. Para o leite, pesaram os custos de produção.

Continua após a publicidade

Entre as capitais, no mês, a maior alta foi no Rio de Janeiro, de 1,39%, enquanto Salvador teve a menor variação em abril, de 0,67%. Em 12 meses, a maior variação foi em Curitiba (14,82%).

Continua após a publicidade

No caso dos transportes, a elevação foi puxada, sobretudo, pelo aumento nos preços dos combustíveis que continuaram subindo (3,20%). Assim como no mês anterior, o destaque foi a gasolina (2,48%), produto com maior na alta do índice do mês (0,17 p.p.).

Continua após a publicidade

Combustíveis; Variação no mês; Variação em 12 meses

Continua após a publicidade

Etanol; 8,44%; 42,11%
Óleo diesel; 4,74%; 53,58%
Gás de botijão; 3,32%; 32,34%
Gasolina; 2,48%; 31,22%

Continua após a publicidade

A expectativa é de novos impactos nos próximos meses, com os aumentos dos combustíveis. Desde a última terça-feira (10), está valendo o novo aumento do diesel anunciado pela Petrobras, de 8,87% nas refinarias, o que significa uma mudança de R$ 0,40 no litro do combustível -de R$ 4,51 para R$ 4,91.

Continua após a publicidade

O aumento de maio deve deixar a inflação do diesel próxima de 60% em 12 meses, encarecendo fretes, transporte público e máquinas agrícolas, segundo economistas.

Continua após a publicidade

A elevação no preço do diesel -que interfere diretamente no cotidiano dos caminhoneiros e indiretamente nos preços de produtos transportados- ocorre menos de dois meses após a última alta, em 11 de março, quando o litro do combustível ficou R$ 0,90 mais caro.

Continua após a publicidade

Por outro lado, o que ajudou a frear o IPCA em abril, na comparação com março, foi a queda da energia elétrica, diz André Filipe Guedes Almeida, do IBGE. O grupo habitação (-1,14%) foi o único a apresentar variação negativa em abril, devido à queda nos preços da energia elétrica (-6,27%), devido às mudanças nas bandeira tarifária ocorridas naquele mês, explica o pesquisador.

Continua após a publicidade

INFLAÇÃO FICA MAIS ‘ESPALHADA’ EM ABRIL

Continua após a publicidade

Mesmo em desaceleração, na comparação com março, a inflação se espalhou ainda mais em abril, com índice de difusão de 78,25%. Os produtos alimentícios tiveram difusão de 79% (ante 74% no mês anterior), já os não alimentícios, de 78%. A difusão de abril é a mais alta desde janeiro de 2003 (85,94%).

Continua após a publicidade

Este é um dos indicativos mais importantes registrados pelo IPCA no mês, avalia o economista e pesquisador André Braz, do Ibre FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas).

Continua após a publicidade

“Esse espalhamento das pressões inflacionárias é preocupante, por significar que a inflação está presente em tudo aquilo que nós consumimos no cotidiano e aumenta a persistência da inflação, colocando uma dúvida na mesa: até onde o Banco Central terá de atuar no aumento de juros?”

Continua após a publicidade

Ele reforça que o BC já sinalizou que poderá voltar a subir os juros e isso deve mesmo acontecer. “Dentro desse contexto, bens duráveis tiveram altas e serviços, como táxi e passagens aéreas, registraram aumentos. O desafio do BC hoje é grande.”

Continua após a publicidade

Nos itens de serviços, que avançaram 0,66% no mês, as passagens aéreas foram responsáveis pela maior pressão de preços (9,48%). Em 12 meses, os serviços avançaram 6,94% (ante 6,29% em março). “Temos um cenário de retomada de empregos e precisamos aguardar para ver como isso vai pesar nos próximos meses sobre a demanda por serviços”, diz Almeida. “A alta de custos, principalmente de combustíveis e gás de botijão, tem influenciado mais na alta de inflação do que a alta de serviços.”

Continua após a publicidade

No mês anterior, a inflação dos alimentos que fazem parte da cesta básica havia disparado no Brasil, superando a marca de 20% no acumulado de 12 meses, de acordo com um estudo de economistas da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná).

Continua após a publicidade

O levamento cita que a alta de preços veio em um contexto de pressões do clima adverso, do encarecimento dos custos de fretes e da Guerra da Ucrânia.

Continua após a publicidade

“Apesar do resultado bem próximo, é preciso destacar dois grandes desvios concentrados e antagônicos que se anularam. O primeiro é no item de higiene pessoal, que veio acima do esperado. Na contramão gasolina teve resultado mais baixo do que o projetado, visto que subiu ‘apenas’ 2,48%, frente à perspectiva de alta de 3,5%”, diz Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos.

Continua após a publicidade

Maiores variações, no mês:

Continua após a publicidade

Batata inglesa; 18,28%
Morango; 17,66%
Maracujá; 15,99%
Couve-flor; 13,25%
Açaí; 11,73%
Maiores variações, em 12 meses:
Cenoura; 178,02%
Tomate; 103,26%
Abobrinha; 102,99%
Melão; 82,46%
Morango; 70,39%

Continua após a publicidade

PRÓXIMOS MESES AINDA SERÃO DESAFIADORES, AVALIAM ANALISTAS

Continua após a publicidade

Desde setembro passado, a inflação oficial do país, medida pelo IPCA, está em dois dígitos no acumulado de 12 meses. O índice está bem distante da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) -que tem centro de 3,50% e teto de 5%.

Continua após a publicidade

O mercado já trabalha com essa perspectiva. O Credit Suisse, por exemplo, aumentou nas últimas semanas suas expectativas para a inflação ao consumidor do Brasil a 8,3% neste ano e 4,6% no próximo, citando as surpresas sucessivas em relação à disseminação da alta dos preços e previsão de um ambiente internacional mais desafiador.

Continua após a publicidade

O Citi, por sua vez, elevou a expectativa de alta do IPCA neste ano para 7,8%, com a percepção de deterioração persistente do cenário inflacionário e aposta em alta dos juros básicos para 13,25% até junho.
Já os analistas consultados pelo mais recente boletim Focus, do Banco Central, esperam que a inflação fique em 7,89% em 2022 -ante previsão anterior, de alta de 7,65%.

Continua após a publicidade

Caso as estimativas se confirmem, este ano vai ser o segundo consecutivo em que a meta de inflação é descumprida. Em 2021, o IPCA teve alta de 10,06%. Além disso, se estourar a meta em 2022, a inflação deste ano poderá contaminar também o ano que vem.

Continua após a publicidade

Para evitar que isso ocorra, o Banco Central tem aumentado seguidamente os juros básicos. Na última reunião do Copom (Comitê de Políticas Monetárias), a taxa Selic foi elevada novamente em 1 ponto percentual, passando de 11,75% para 12,75% ao ano, maior patamar desde 2017.

Continua após a publicidade

Além disso, aumentou a expectativa de que a economia deve desacelerar. O Copom avalia que o aperto das condições financeiras cria um risco de desaceleração do crescimento econômico, mais forte que o antecipado nos próximos trimestres.

Continua após a publicidade

“Nos itens mais voláteis, continua se destacando o aumento do preço da gasolina, com impacto maior e mais rápido do que era previsto”, disse o comitê, por meio de sua ata.

Continua após a publicidade

O BC também ressalta que os preços de serviços e de bens industriais se mantêm elevados e que os recentes choques ligados ao conflito no leste da Europa e à política chinesa de combate à Covid-19 levaram a um forte aumento nos componentes ligados a alimentos e combustíveis.

Continua após a publicidade

Braz diz que é esperado que o IPCA de maio desacelere ante abril e que seja beneficiado pela queda da tarifa de energia (que já ajudou na inflação de abril).

Continua após a publicidade

“Se a Petrobras não aumentar novamente a gasolina, vamos ter uma estabilidade nos combustíveis. Vamos ter ajuda da energia e, talvez, um alívio nos preços dos alimentos. Mas mesmo essa desaceleração não deve fazer o BC mudar a perspectiva de alta dos juros.”

Continua após a publicidade

“A perspectiva para os próximos meses é de desaceleração na inflação mensal, dada a continuação dos impactos do início da bandeira verde para energia elétrica e uma menor alta dos alimentos, por conta da sazonalidade favorável. No entanto, com a defasagem da gasolina acima de 20% nas refinarias, devemos observar algum reajuste para os próximos dias, com repasse para o consumidor”, avalia Felipe Rodrigo de Oliveira, economista da MAG investimentos.

Continua após a publicidade

A alta dos preços que é sentida todos os dias pelos brasileiros é um tema caro ao governo de Jair Bolsonaro (PL), que deve tentar a reeleição em outubro.

Continua após a publicidade

O temor do presidente é que o impacto da ida ao supermercado e ao posto de gasolina pese na escolha do eleitor, e o governo tem atribuído as altas de preços a fatores externos -como as medidas de distanciamento na pandemia, a própria Guerra da Ucrânia e os aumentos de combustíveis feitos pela Petrobras.

Continua após a publicidade

Segundo uma pesquisa Datafolha publicada no fim de março, no entanto, 75% dos brasileiros responsabilizavam o governo Bolsonaro pela alta da inflação.

Continua após a publicidade

Por meio de perfis em redes sociais, como o Tik Tok e o Twitter, usuários também têm responsabilizado o governo pela carestia -termo que voltou ao vocabulário dos brasileiros nos últimos meses.

Continua após a publicidade

Braz, do Ibre, avalia que uma parte da inflação no Brasil vem, de fato, do conflito no leste europeu, que fez subir os preços de petróleo e trigo. “Mas é verdade também que uma parte dessa inflação já vem desde o ano passado, e o espalhamento não ocorreu por conta da guerra.”

Continua após a publicidade

A inflação vem se espalhando por mais itens desde 2021, pois a gasolina e a energia têm sido as grandes vilãs dos preços nos meses recentes, diz o economista. “Isso afetou as contas das famílias e o custo industrial e do agronegócio. Quanto maior for o tempo em que esses insumos permanecerem com preços altos, maior será o impacto. Colocar a culpa toda no fator externo, portanto, também não é justo.”

Continua após a publicidade

INPC SOBE 1,04%, MAIOR RESULTADO PARA ABRIL DESDE 2003

Continua após a publicidade

O INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) teve alta de 1,04% em abril, vindo de um aumento de 1,71% no mês anterior, ainda segundo o IBGE. O resultado foi o maior para um mês de abril desde 2003, quando o índice registrou 1,38%.

Continua após a publicidade

O indicador serve para reajustar aposentadorias, no cálculo do reajuste do salário mínimo e como referência em negociações salariais.

Continua após a publicidade

Em 12 meses, o aumento foi de 12,47%, a maior variação desde novembro de 2003 -ante um resultado de 11,73% no período anterior, de 12 meses até março.

Continua após a publicidade

Conhecido como a inflação das famílias de menor renda, o INPC considera os lares com rendimentos de um até cinco salários mínimos. Em abril, o maior impacto foi no preço dos alimentos (2,26%).

Continua após a publicidade

O INPC subiu em todas as áreas pesquisadas. O menor resultado foi em Goiânia (0,65%), em função da queda na energia elétrica (-10,49%). A maior variação, por sua vez, ficou com a região metropolitana do Rio de Janeiro (1,45%), influenciada pelas altas de 13,57% no leite longa vida e de 6,25% nos produtos farmacêuticos, ainda segundo o IBGE.