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Entre os meses de fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, a cesta básica passou de R$ 786,51 para R$ 1.014,63
Entre os meses de fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, a cesta básica passou de R$ 786,51 para R$ 1.014,63
Foto: xxxPatrik

Após um ano de pandemia, paulistano paga 29% a mais por cesta básica

Segundo pesquisa do Procon-SP, os alimentos foram os principais responsáveis pela alta nos preços nos últimos 12 meses

Desde o início da pandemia, em março de 2020, a auxiliar de cozinha Antônia dos Santos Monteiro, de 42 anos, tem visto o seu poder de compra diminuir. Moradora do Butantã, na zona Oeste da Capital, Antônia perdeu o emprego no ano passado e passou a cozinhar para fora para ter alguma renda, o que a faz ir ao supermercado todos os dias e observar de perto a alta nos preços. “Por cozinhar para fora, eu preciso ir ao mercado todos os dias. Mas, de uma semana para outra, a minha lista sempre diminui, pois os preços estão assustadores. Eu sempre saio de casa imaginando que vou gastar um valor, mas sempre gasto mais e, não raro, preciso ir em dois ou três mercados para não passar muito do previsto.”

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Antônia dos Santos Monteiro

A percepção de Antônia vai de encontro com o verificado por uma pesquisa da Fundação Procon-SP, em convênio com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). Entre os meses de fevereiro de 2020 e fevereiro de 2021, o paulistano precisou de mais dinheiro na hora de ir ao supermercado, pois, no período, os produtos que compõem a cesta básica ficaram 29% mais caros na cidade de São Paulo, passando de R$ 786,51 para R$ 1.014,63.

De acordo com a pesquisa, com uma alta de 32%, os alimentos foram os principais responsáveis pela alta dos preços. Entretanto, os itens de higiene pessoal e limpeza também ficaram mais caros no período, com acréscimos de 12% e 7,81%, respectivamente.

“Problemas climáticos, questões sazonais, excesso ou escassez de oferta ou demanda pelos produtos, preços das commodities, variações cambiais, formação de estoques, desonerações de tributos, entre outros, estão entre os motivos que justificam as oscilações nos preços dos produtos da cesta básica”, explica o estudo.

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Óleo, arroz e carne
Entre os produtos que mais inflacionaram a cesta básica no último ano, óleo, arroz e carne estão entre os que mais pesaram no bolso do consumidor.

O óleo de soja, por exemplo, foi o produto com a maior alta, de 93,01%. No período analisado, a embalagem de 900 ml passou de R$ 3,86 para R$ 7,45. O atraso na colheita, a competição entre compradores internos e externos e a desvalorização do real frente ao dólar contribuíram para o aumento do preço.

“Enquanto internamente ocorria a procura por derivados de soja, as exportações do farelo e do óleo de soja eram favorecidas, devido à menor disponibilidade na Argentina. O baixo estoque e o pouco volume de soja no Brasil ainda causaram uma disputa atípica entre as indústrias locais que chegaram a ofertar preços acima dos preços do produto exportado”, explica o Procon-SP.

Com o preço médio do pacote de 5kg passando de R$ 12,78 para R$ 23,34, o arroz também apresentou um aumento expressivo no preço desde fevereiro do ano passado. Novamente a desvalorização do real frente ao dólar, além da diminuição da área plantada nos últimos anos, explicam a alta.

No que diz respeito à carne, o intenso ritmo de exportação, principalmente para a China, a baixa disponibilidade de boi gordo no pasto, a elevação nos preços de importantes insumos pecuários importados, e o aumento no valor dos insumos internos de alimentação, como o milho e o farelo de soja, explicam a variação de mais de R$ 12 no preço médio do quilo da proteína.

Abaixo, confira as principais oscilações de preços na cesta básica paulistana.

Produtos com maiores altas:

Óleo de soja +93%
Arroz branco +83%
Cebola +58%
Sabão em barra +48%
Carne de segunda +43%

Preços que caíram:
Alho -4%
Água sanitária -4,5%

R$ 5.375
Outro levantamento do Dieese, que leva em conta a cesta básica mais cara do País, que em fevereiro foi a de Florianópolis, aponta que o brasileiro precisaria de um salário mínimo de R$ 5.375,05 para viver de forma digna. O valor é 4,89 vezes o mínimo vigente e leva em conta uma família de quatro pessoas, formada por dois adultos e uma criança.


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