Em São Paulo, carnaval de rua é cancelado

A prefeitura da Capital decidiu cancelar o carnaval de rua deste ano devido ao aumento de casos de coronavírus

Carnaval de rua de São Paulo, em 2020, o último ano em que a folia tomou as ruas da Capital

Carnaval de rua de São Paulo, em 2020, o último ano em que a folia tomou as ruas da Capital | /Edson Lopes Jr/SECOM

A Prefeitura de São Paulo, gestão Ricardo Nunes (MDB), decidiu cancelar o Carnaval de rua deste ano. A decisão se deve ao aumento de casos de coronavírus causados pela variante ômicron e à epidemia de influenza.

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A Secretaria de Saúde afirmou ainda que não é recomendável fazer o evento no autódromo de Interlagos, como havia sido aventado.

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No início de dezembro, a Vigilância Sanitária já havia aconselhado o prefeito a não realizar a festa de Réveillon na avenida Paulista, e o evento acabou cancelado.

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Na última terça (4), Nunes disse à coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, que a prefeitura estudava transferir o desfile de blocos de Carnaval, que arrastam multidões às ruas, para o Autódromo de Interlagos. Essa, segundo ele, era uma das soluções estudadas “para garantir a segurança sanitária na cidade e, ao mesmo tempo, a realização da festa, que gera milhares de empregos”. 

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A declaração foi feita no mesmo dia em que o Rio de Janeiro cancelou a realização do Carnaval de rua.

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Outras cidades com festejos tradicionais, como Olinda e Salvador, também já riscaram a folia da agenda deste ano. A lista de municípios chega a pelo menos 58 no interior paulista, litoral e Grande São Paulo.

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Na quarta (5), o secretário Edson Aparecido afirmou que os primeiros dados analisados pela Covisa mostraram que o grau de disseminação da variante ômicron do novo coronavírus segue um gráfico que aponta para um rápido crescimento de contágio em um curto espaço de tempo.

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Nos últimos dez dias, segundo ele, os atendimentos de pacientes suspeitos com Covid-19 cresceram 30% na cidade, apesar de ainda não terem impactado nos hospitais da rede municipal.

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Aparecido lembrou que, com uma variante com um grau de transmissibilidade muito acentuado, como a ômicron, a cidade deverá ter meses de janeiro e fevereiro pressionados pelo aumento de Covid-19.

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Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, somente nos quatro primeiros dias de janeiro foram realizados 32.403 atendimentos a pessoas com sintomas respiratórios, sendo 18.267 suspeitos de Covid-19, nas unidades de saúde da capital.

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O mais recente sequenciamento genético feito pela secretaria em parceria com o Instituto Butantan apontou que a variante representa 50% de prevalência entre os casos pacientes com o novo coronavírus na cidade.
O percentual de prevalência pode ser ainda maior, já que os números, divulgados nesta terça-feira (4), são referentes à semana dos dias 12 a 18 de dezembro.

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A pressão para o cancelamento da folia na capital veio também do governo estadual. Ainda na quarta-feira, o médico João Gabbardo, coordenador do comitê científico que aconselha a gestão João Doria (PSDB) nas decisões para o combate à pandemia, disse que “é impensável manter o Carnaval de rua sem controle de vacinação”.

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No Carnaval de rua, lembrou, não há como fazer o controle e fica liberada a participação de qualquer pessoa. “Não não tem como acompanhar se [o folião] está vacinado. A aglomeração é imensa”, disse.

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“A recomendação é evitar que isso [Carnaval] aconteça, porém, a decisão cabe em súmula àqueles que dirigem o comando das prefeituras”, afirmou o governador, na mesma entrevista coletiva.

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Também na quarta, o Fórum de Blocos de Carnaval de Rua de São Paulo, a União Blocos Carnaval do Estado de São Paulo e a Comissão Feminina de Carnaval de São Paulo cancelaram a participação no Carnaval de rua paulistano.

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As entidades também afirmaram que não participariam do evento caso ele fosse realizado em um local com entrada controlada, como o Autódromo de Interlagos.

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Os grupos representam 250 blocos que estavam inscritos para a folia –ao todo, a capital recebeu inscrição de cerca de 680 blocos.

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Eles alegam insegurança sanitária para participação do evento, falta de consenso entre as três esferas políticas e não inclusão dos blocos e coletivos nas tratativas da organização.

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Pouco antes do Natal, grandes blocos, como os das cantoras Daniela Mercury e Glória Groove, já haviam cancelado os desfiles em São Paulo.