Reflexões após dois anos do ‘8 de Janeiro’

Naquele dia, não apenas prédios históricos foram vandalizados, mas também símbolos do pacto social que sustenta nossa nação foram violentados

O dia 8 de janeiro deixou lições amargas

O dia 8 de janeiro deixou lições amargas | Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os ataques de 8 de janeiro de 2023 representaram mais do que uma afronta física às sedes dos três Poderes; foram um ataque direto ao coração da democracia brasileira.

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Naquele dia, não apenas prédios históricos foram vandalizados, mas também símbolos do pacto social que sustenta nossa nação foram violentados.  

Diante desse cenário, o jornalismo reafirmou seu papel essencial: informar, esclarecer e combater a desinformação.

Em meio ao caos, jornalistas atuaram como verdadeiros guardiões da verdade, expondo os fatos, contextualizando os acontecimentos e, principalmente, dando voz à sociedade, que clamava por respeito às instituições.  

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Werner Becker, na obra “Die Freiheit, die wir meinen” (Munique, 1982), oferece reflexões que se mostram mais atuais do que nunca. Ele afirma que: “O partido que está no poder jamais tenta limitar a atividade política dos cidadãos ou partidos enquanto estes não ameaçarem derrubar o governo pela violência”.

E complementa: “Os partidos que perderam as eleições jamais tentam impedir o partido vencedor de tomar posse utilizando-se da violência ou de outros meios ilegais.” Esses princípios, quando rompidos, abrem caminho para o caos e para a erosão dos pilares democráticos.  

Além das ameaças físicas e simbólicas, há outras formas de fragilizar a democracia. Uma delas é o enfraquecimento sistemático do jornalismo, não apenas por ataques diretos, mas também pela retirada de suas fontes legítimas de custeio.

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A substituição dos veículos de imprensa tradicional por formas alternativas e, muitas vezes, opacas de divulgação de atos oficiais – especialmente aqueles relacionados aos processos licitatórios – enfraquece a transparência objetiva e afasta o princípio da ampla publicidade, que deve ser uma primícia de qualquer governo comprometido com a lisura das contas públicas.  

Uma democracia saudável depende de informação livre, plural e transparente. Quando a imprensa é atacada ou desacreditada, a sociedade perde um de seus principais escudos contra o autoritarismo.  

O dia 8 de janeiro deixou lições amargas, mas também reforçou a importância do compromisso do jornalismo com a verdade. 

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Cabe a nós, como sociedade, proteger e valorizar esse pilar essencial, para que os ecos daquele dia não se repitam – e que as páginas futuras da nossa história sejam escritas com responsabilidade, diálogo e respeito à democracia.