Eu já fui daquelas pessoas que queriam sair do Brasil com a viagem 100% planejada. Hotel reservado, passeio marcado, restaurante escolhido, horários definidos… Eu achava que aquilo me dava segurança. E dava mesmo. O problema é que, com o tempo, percebi que também tirava uma coisa muito importante da viagem: a liberdade.
Eu estava conhecendo um lugar incrível, mas parte da minha cabeça já estava no dia seguinte: será que está tudo certo? Que horas temos que acordar? Quanto tempo demora para chegar? E, sem perceber, eu deixava de viver completamente aquele momento.
Depois de muitas viagens, eu e o Ro criamos nosso próprio jeito de viajar pelos Estados Unidos. E hoje eu adoro!
A primeira regra é tentar comprar passagens que permitam alguma flexibilidade para alterar a volta. Depois, reservamos o hotel dos primeiros dias e também o do final da viagem. O meio? O meio a gente deixa a vida decidir um pouco.
Foi exatamente assim na nossa última viagem. Estávamos em Nova York quando nossa amiga Juju Di Casa ligou convidando a gente para assistir a um jogo do Brasil em Cleveland. Se tivéssemos todos os dias fechados, com hotéis e compromissos pagos, provavelmente teríamos respondido: “Não dá”.
Mas dava!
Pegamos o mapa e fomos ver a distância entre Nova York e Cleveland. Depois começamos a pesquisar: o que existe de interessante no caminho? Quando encontramos pelo menos dois lugares que queremos conhecer, preferimos fazer o trajeto de carro. Se não houver nada que nos interesse, aí pensamos no avião.
Dessa vez apareceram State College, na Pensilvânia, e Erie, já quase na divisa com Ohio. Tínhamos três dias. Procuramos hotéis simples e com bons preços, porque seriam apenas para dormir, alugamos um carro usando milhas e fomos.
E é aí que a viagem muda completamente.
Você está fora do seu país, dirigindo por uma estrada que nunca viu, entrando em cidades que até poucos dias antes nem sabia que existiam. Para mim, essa sensação de não saber exatamente como será o dia seguinte é uma das coisas mais gostosas de viajar.
Claro que liberdade não significa irresponsabilidade. Hoje temos GPS, aplicativos de viagem, avaliações de hotéis, mapas, tradutores e até inteligência artificial para pesquisar uma cidade em segundos. Dá para descobrir onde dormir, onde comer, o que conhecer e até mudar a rota no meio do caminho. Ou seja: é possível improvisar com informação e segurança.
Foi assim que conhecemos lugares e vivemos situações que jamais teriam entrado em um roteiro feito meses antes.
Por isso, se você tem vontade de viajar para os Estados Unidos, mas sente medo de não deixar tudo planejado, experimente começar aos poucos. Não precisa sair de casa sem saber onde vai dormir amanhã. Apenas deixe um espacinho vazio no roteiro.
Porque às vezes a melhor parte da viagem é justamente aquela que você não planejou.
Hoje eu gosto de saber onde a viagem começa e onde ela termina. O que vai acontecer entre esses dois pontos?
Ah… isso eu deixo a viagem me contar.
