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meio ambiente

A catástrofe no Sul revela o despreparo brasileiro em calamidades

Aquecimento global, desmatamento, uso de combustíveis fósseis, tudo foi aclamado, mas não ouvido pelas autoridades políticas e pela população

Célio Egidio

Publicado em 10/05/2024 às 21:30

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As fortes chuvas que assolaram estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro resultaram em enchentes e deslizamentos de terra devastadores / Diego Vara/Agência Brasil

Há décadas, especialistas de várias áreas alertavam para os riscos ambientais e sobre sua proporção. Aquecimento global, desmatamento, uso de combustíveis fósseis, tudo foi aclamado, mas não ouvido pelas autoridades políticas e pela população. As fortes chuvas que assolaram estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio de Janeiro resultaram em enchentes e deslizamentos de terra devastadores, foram o alerta, mas nada de concreto foi feito. A falta de investimento em infraestrutura de prevenção e resposta a desastres naturais está sendo exposta na tragédia gaúcha. Muitas áreas afetadas não possuíam sistemas adequados de drenagem e contenção de enchentes. Além disso, os recursos destinados à preparação para emergências e à assistência às vítimas têm sido consistentemente insuficientes, ou desviados para outras áreas do orçamento. Outro aspecto preocupante é a falta de coordenação entre os diferentes níveis de governo e agências responsáveis pela gestão de crises. A resposta às enchentes no Sul está sendo marcada pela desorganização e pela falta de comunicação entre os órgãos competentes, resultando em atrasos na prestação de socorro e na distribuição de recursos essenciais. Por outro lado, o ponto marcante está no voluntariado, que sem cessar, mesmo desconhecendo técnicas, realiza um trabalho ímpar. Não bastassem as águas sem fim, o maléfico fake news ressurgiu, assolando em desinformação e prejudicando ainda mais as vítimas e os socorristas. A visita do presidente Lula (PT) e de toda sua comitiva apresentou apoio, solidariedade e futuras verbas de reconstrução, mas a omissão na implantação de uma política nacional contra desastres naturais ficará para a história. Em suma, a catástrofe no Sul do Brasil serve como um lembrete doloroso do despreparo do país em lidar com calamidades naturais. Para evitar tragédias futuras, é necessário um esforço conjunto entre governo e população, em que todos levem e acreditem que essa calamidade é só o começo de muitas que sofreremos pelos próximos anos.

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