“Bolsonaro faz declarações polêmicas sobre o STF e Alexandre de Moraes”. Essas seriam as palavras iniciais de qualquer artigo, após os vários atos e manifestações em que Jair Bolsonaro (PL) participou no últimos anos, como uma figura de destaque na chamada direita brasileira.
O embate entre Bolsonaro e o STF, especialmente com Alexandre de Moraes, continua sendo um dos principais temas do cenário político brasileiro, refletindo a profunda polarização e o desafio de manter a estabilidade democrática no país.
No entanto, o jogo parece ter mudado. Na última semana, o ex-presidente sentou-se no banco dos réus do mesmo Tribunal que tanto criticou, tendo como inquiridor o ministro que sempre atacou.
Bolsonaro, que antes se apresentava como um líder forte, inabalável, mostrou uma postura diferente diante de Moraes.
Em águas passadas, os brados sequenciais como “Eu te pego, Alexandre de Moraes”, para uma figura de adolescente arrependido que até pede desculpas por suas falas.
Sarcasmos a parte, a retórica do Bolsonaro imbatível esvaziou em suas declarações cautelosas na busca de fugir da responsabilidade pelos atos que cometeu. E
m contradições, Bolsonaro declarou meias verdades que são perceptíveis até para um estudante de direito. Talvez acredite que enganou o interrogador, mas a boa técnica de advocacia indica o contrário.
Como não conseguiu se defender adequadamente, permanecem as acusações da denúncia, que é a regra jurídica para casos assim.
Talvez não tenha percebido que muitos de seus seguidores desejavam vê-lo afrontando o ministro ou até afirmando que queria ser preso em troca dos já condenados do “8 de janeiro”.
Nada ocorreu. E no sentido contrário denominou seus militantes de “malucos”. Foi desfeito um mundo paralelo, que existia ao seu redor. Era pura fantasia de uma figura forte que livraria o Brasil do crime e da corrupção.
Nessa vácuo político, Tarcísio de Freitas ascende com outros predicados mais amenos, técnicos e recheados de uma filosofia liberal. 2026 é logo ali.
