Da Cracolândia para o Brasil, o que podemos aprender

Sem solução na área de saúde pública direcionada para os usuários de drogas, as sucessivas ações policiais não surtem o efeito desejado

Caso aconteceu na última quinta-feira (foto de arquivo)

Operação na Praça Princesa Isabel | Danilo Verpa/Folhapress

Na última semana o governo de São Paulo juntamente com a prefeitura desenvolveram outra operação contra os usuários de drogas que se concentram na região central da Capital, próximo à praça Princesa Isabel. Situação que já entrou no quotidiano do paulistano.

Sem solução na área de saúde pública direcionada para esses usuários, as sucessivas ações policiais não surtem o efeito desejado. Na presença policial, espalham-se pela cidade e dias depois retornam ao mesmo local.

Los Angeles, cidade da Califórnia, nos Estados Unidos, possui a sua “cracolândia”, lá denominada Skid Row, com a maior concentração de sem-teto da cidade e de usuários de drogas. Lá, como aqui, o estado apresenta soluções bélico-políticas, que por sinal não vem causando bom resultado.

Na verdade, a possibilidade de internação para tratamento, via Ministério Público e coordenada de perto pelo Poder Judiciário seria um boa solução, desde que, haja ações na área da saúde, da assistência social, e lógico, um grande combate ao tráfico de drogas pelas forças policiais. Aparentemente parece simples, mas é complexo, tanto do ponto de vista político como do legal.

A operacionalização de todos os entes simultaneamente e com o mesmo objetivo seria o ideal. Parece utópico, mas é caminho para solução ou amenização dessa ferida social na maior capital do Brasil. Pode-se depreender que as soluções para os óbices nacionais não nascem de apenas uma “canetada” em Brasília, mas envolvem vários setores da sociedade.

A busca de um modelo de gestão pública integrada é a melhor maneira para o debate e resolução de vários antagonismos nacionais. Então, até a “cracolândia” nos dá uma lição, pois uma única ação estatal ao invés de criar solução promove outro estorvo para a sociedade, que já está cansada de tanta desorganização.