Eleições: faltam propostas, sobram trapalhadas

Os debates eleitorais viraram verdadeiros pastelões. Há mais audiência em debate gerado por televisão de pequeno porte do que telejornal em horário nobre

Datena agride Pablo Marçal durante debate da TV Cultura

Datena agride Pablo Marçal durante debate da TV Cultura | Reprodução/TV Cultura

Em tese, a expectativa do eleitor deveria pautar-se nas propostas sobre zoneamento urbano, melhorias nos postos de saúde e se a mochila adquirida pelo município, ofertada ao aluno do primeiro ciclo, seria ergonômica, mas, na verdade, hoje esperam quão hilário será o show. 

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Muito mais próximo do humor do que da seriedade, o brasileiro está vivendo uma das piores eleições em termos de propostas. É perceptível que a eloquência, oratória, modo de se portar para o cargo, literalmente acabaram. 

É um festival de atos, com ares de violência, de fazer inveja a qualquer modelo pastelão. Cabeçadas nos debates de Teresina, no Piauí, e cadeiradas em São Paulo, fazem o espetáculo aguardado pelo eleitor. 

De fato, os típicos bate-bocas são próprios e esperados no espetáculo da democracia moderna, mas não essa banalização apresentada. A internet auxilia, sem igual, em como viralizar cortes e pequenos takes que revelam o que há de pior no candidato. 

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O algoritmo pede, os candidatos entregam, a cadeirada de Datena em Marçal, nas eleições paulistanas, superou quase todas as expectativas do teatro de comédia. Debates perdidos, restaria o horário da propaganda eleitoral, mas é difícil selecionar um representante com poucos minutos de sua apresentação curricular. 

Nome, número de urna e uns três segundos sobre sua proposta ao cargo de vereador é muito pouco para um contrato de quatro anos. Restou a velha forma de fazer política, com contato pessoal do candidato com o público, nas feiras, bares e ruas das cidades. 

Em suma, pouco se consegue conhecer da proposta do candidato, os pequenos espaços para expor seus projetos estão recheados de comédia, muita publicidade nas ruas e poucas propostas. As cidades mereciam melhor, os candidatos estão  entregando pouco. Faltam propostas, sobram trapalhadas.