Vai-Vai vira estopim para batalha nas redes sociais

O movimento hip hop, núcleo da mensagem da Escola ficou à margem; o radicalismo venceu e o samba morreu

Ensaio técnico da escola de samba Vai Vai, no sambódromo do Anhembi

Ensaio técnico da escola de samba Vai Vai, no sambódromo do Anhembi | Nelson Antoine/UOL/Folhapress

A polarização política tem seus ânimos acirrados com a eleição de Jair Bolsonaro (PL) à presidência da República. Com o discurso de valorizar a religião, a família tradicional e a pátria como ente intocável e irreprimível, Bolsonaro conseguiu atrair milhões de seguidores, durante a campanha, no mandato e até os dias atuais. Diante do cenário de corrupção apresentado pela operação Lava Jato, à época, esse era o melhor caminho para a conquista do poder. 

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Em virtude de questão técnica, a operação desabou sem punições. Com Lula (PT) solto, a polarização chega ao seu auge na campanha política de 2022. Com a ascensão do PT ao poder, muitos entendiam que o bolsonarismo morreria, mas como os extremos direita-esquerda são retroalimentados, o radicalismo fixa âncora na sociedade. A escola Vai-Vai demonstrou claramente isso. Com um ministro de estado, em carro de destaque, e alegorias que insinuavam policiais como demônios e presos idolatrados, foi o estopim para batalhas nas redes sociais. 

O Sindicado dos Delegados de SP saiu à frente defendendo a polícia e alguns meios de comunicações, em sentido contrário, afirmavam ser arte e que própria polícia propicia tal alegoria, indicando o alto número de mortes na Operação Escudo sob a batuta de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O movimento hip hop, núcleo da mensagem da Escola ficou à margem; o radicalismo venceu e o samba morreu. 

A escola de samba Vai-Vai já foi alvo de investigações policiais, em virtude de eventual envolvimento com o crime organizado. Ser provocativa e criticar a sociedade é típico de muitas escolas de samba, isso é bom, pois cria a dialética necessária em qualquer sociedade que se propõe a evoluir. O que não se deve é criar combustível para a radicalização, que está presente, e muito nociva ao convívio social. Tudo indica que as eleições de 2024 serão fortemente apimentadas pelos extremos, não sendo saudável para a democracia nem para a política, que deveria ser foro do diálogo e conciliação.