Alckmin fica: a escolha de Lula pela estabilidade e pela sucessão

Discreto, leal e eficiente, o vice-presidente foi acionado em momentos-chave e respondeu à altura

O pacote de investimentos, detalhado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e pela ministra Fernanda Machiaveli, integra crédito para instalação do Incra e infraestrutura rural

Alckmin se comportou como o que, em Brasília, se convencionou chamar de 'adulto na sala' | Marcelo Camargo/Agência Brasil

A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de manter Geraldo Alckmin como vice na disputa pela reeleição não é apenas um gesto de lealdade política. É, sobretudo, uma escolha estratégica que revela muito sobre o tipo de eleição que Lula pretende disputar e, principalmente, sobre como ele enxerga o futuro do seu próprio grupo político.

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Ao optar por repetir a chapa, Lula sinaliza que fará uma campanha de continuidade. Não há ruptura, não há reposicionamento brusco, não há tentativa de reinventar o governo. Trata-se de uma reeleição “pura”, ancorada na estabilidade e na previsibilidade.

E Alckmin, nesse contexto, cumpre um papel central. Ao longo do mandato, consolidou-se como um vice de baixa fricção e alta confiabilidade. Discreto, leal e eficiente, foi acionado em momentos-chave e respondeu à altura seja nas articulações internacionais, como nas tratativas envolvendo o Mercosul, seja na interlocução econômica em momentos de maior tensão, como nas discussões sobre tarifas e política industrial.

Alckmin se comportou como o que, em Brasília, se convencionou chamar de “adulto na sala”. E isso, em política, vale muito.

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A sua permanência na vice também evita um risco que Lula claramente não quis correr: abrir espaço para disputas internas no campo governista. Ao manter Alckmin, o presidente preserva o equilíbrio da coalizão e impede a antecipação de uma guerra por protagonismo dentro da própria base.

Mas há um elemento ainda mais relevante nessa escolha. Ao reafirmar Alckmin como vice, Lula também projeta, ainda que indiretamente, uma possibilidade de sucessão. Em um eventual segundo mandato, o vice deixa de ser apenas coadjuvante e passa a ocupar naturalmente o radar de 2030.

Nesse sentido, a decisão vai além da eleição. Ela organiza o futuro.

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Ao abrir mão de alternativas mais ousadas como uma composição mais eleitoral ou regional Lula faz uma aposta clara: prefere segurança à experimentação, controle à incerteza.

Mais do que montar uma chapa competitiva, o presidente está, desde já, tentando controlar o jogo político que virá depois dela.