ECA digital ou controle digital? Lula reacende um debate sensível 

Debate ganha outra dimensão quando, junto com a proteção, surge novamente o discurso de regulação mais ampla das redes sociais

Ao longo dos anos, o PT tem flertado com propostas de regulação da mídia e do ambiente digital

Ao longo dos anos, o PT tem flertado com propostas de regulação da mídia e do ambiente digital | Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Recentemente, em discurso público ao tratar da regulamentação do chamado ECA digital, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a necessidade de regras mais rígidas para o ambiente online, argumentando que a internet não pode ser “terra sem lei”, especialmente quando envolve crianças e adolescentes. 

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O ponto de partida é correto. O Brasil precisa, sim, proteger menores de abusos, exposição precoce e conteúdos nocivos. Trata-se de uma agenda legítima, necessária e urgente. No entanto, o debate ganha outra dimensão quando, junto com a proteção, surge novamente o discurso de regulação mais ampla das redes sociais. 

E esse não é um movimento novo. 

Ao longo dos anos, o PT tem flertado com propostas de regulação da mídia e do ambiente digital, quase sempre sob justificativas plausíveis. O problema é que, repetidamente, essas iniciativas abrem margem para interpretações que vão além da proteção e encostam no controle. 

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A linha entre regular e restringir é tênue e, no ambiente político, perigosamente sensível. 

Há também um componente estratégico que não pode ser ignorado. A esquerda, tradicionalmente forte em mobilização de base, nunca conseguiu traduzir com a mesma eficiência sua força para o ambiente digital. Nesse campo, a direita construiu vantagem, ocupando espaço, moldando narrativas e ampliando alcance. 

Diante disso, a discussão sobre regulação deixa de ser apenas técnica e passa a ter implicações políticas claras. 

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“Quando a regulação surge como resposta a uma derrota de narrativa, ela deixa de ser apenas proteção e passa a ser instrumento de disputa.” 

O risco está justamente aí. Ao insistir nessa pauta, o governo reforça uma percepção que o acompanha há anos: a de que, por trás de um discurso legítimo, existe a tentação de ampliar o controle sobre o fluxo de informações. 

E política é percepção. 

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O Brasil precisa avançar na proteção digital. Mas qualquer brecha que permita interferência excessiva no debate público compromete um ativo essencial da democracia: a liberdade de expressão. 

No fim, a questão não é se devemos proteger isso é consenso. 

A verdadeira pergunta é: 
até onde o Estado pode ir sem ultrapassar essa linha.