Ninguém nasce ‘de exatas’: o plano para aprender matemática de vez neste volta às aulas

Não existe uma pulseirinha de maternidade que define quem vai ser bom em cálculo ou em literatura

Na vida adulta, a disciplina deixa de ser uma obrigação escolar e se torna uma ferramenta de sobrevivência e liberdade

Não existe uma pulseirinha de maternidade que define quem vai ser bom em cálculo ou em literatura | Gpointstudio/Freepik

O sinal tocou. As mochilas estão novas, o cheiro de caderno recém-aberto paira no ar de Norte a Sul do País e, com ele, aquela velha ansiedade que gela o estômago de muitos estudantes (e pais!): a primeira aula de Matemática.

Continua após a publicidade

Na nossa última conversa aqui na Gazeta, falamos sobre por que criamos esse trauma coletivo com os números. Hoje, quero propor um pacto para este início de ano letivo. Vamos parar de dividir o mundo entre “pessoas de exatas” e “pessoas de humanas”?

Não existe uma pulseirinha de maternidade que define quem vai ser bom em cálculo ou em literatura. O que existe é afinidade e, principalmente, método. Se você sente que a Matemática é um muro intransponível, talvez o problema não seja a sua inteligência, mas os tijolos que ficaram faltando lá embaixo.

Imagine uma pirâmide. Para chegar ao topo, onde estão os logaritmos ou a temida fórmula de Bhaskara, você precisa de uma base sólida. Na educação, muitas vezes tentamos escalar o topo sem olhar para o chão. Se você está no Ensino Médio e ainda tropeça na tabuada ou em divisões com vírgula, não tenha vergonha de voltar atrás. Assumir a dificuldade na matemática básica é o primeiro passo para o sucesso. Sem o alicerce, qualquer estrutura balança.

Continua após a publicidade

Aprender Matemática não é um processo passivo de leitura. Não adianta apenas olhar para o quadro e dizer “entendi”. Matemática exige “mão na massa”. É preciso riscar o papel, testar caminhos e, sim, errar. O erro, como aponta a pesquisadora Jo Boaler em seus estudos sobre mentalidades matemáticas, é o momento em que o cérebro mais se desenvolve. Quando desafiamos nossa mente com um problema difícil, as conexões neurais se fortalecem.

Outro segredo para este ano: substitua os 20 minutos de estudo desesperado antes da prova por 20 minutos de revisão diária. A constância vence a intensidade. Se você aprendeu frações hoje, pratique hoje. O cérebro humano aprende melhor por repetição espaçada do que por “maratonas” de véspera que geram apenas cansaço e esquecimento precoce.

Mais do que “como” fazer, busque entender o “porquê”. Por que menos com menos dá mais? Por que o volume de uma pirâmide é dividido por três? Quando a regra ganha sentido, ela deixa de ser um fardo para a memória e se torna uma ferramenta de raciocínio. Essa busca pela lógica é o que nos ajuda, futuramente, a entender algoritmos de redes sociais ou a planejar o orçamento doméstico sem cair em armadilhas de juros.

Continua após a publicidade

A aprendizagem vai além do “certo ou errado”. O fazer matemático envolve buscar padrões e estabelecer conexões com a vida real. Se você se organizar, respeitar seu tempo de aprendizado e não se comparar com o colega ao lado, verá que a Matemática não é um dom divino, mas uma linguagem poderosa que todos podem falar.

Nesta volta às aulas, convido você a olhar para os números com curiosidade, não com medo. O nosso cotidiano é movido por dados, lógica e cálculos — do tempo do semáforo ao preço do cafezinho. Dominar essa linguagem é, acima de tudo, um ato de liberdade e cidadania. Vamos juntos fazer de 2026 o ano em que a Matemática finalmente fez sentido?