Resolvemos perrengues, pagamos boleto e usamos o maps diariamente, mas a palavra “Matemática” ainda dá um arrepio. Vamos entender por que isso acontece. Oi, leitores da Gazeta! Que alegria ter esse cantinho para conversar com vocês.
Eu sou a Gis, professora de matemática e criadora do canal Gis com Giz, e, acreditem ou não, meu superpoder é fazer as pazes com os números. Para começar, quero falar sobre a maior fofoca da educação: a de que a Matemática é um bicho de sete cabeças e que só alguns sortudos nascem com o dom para ela.
Se você já se sentiu assim, respira. A culpa não é sua, e nós podemos desconstruir isso juntos.
Crescemos ouvindo que a Matemática é uma disciplina exclusiva, isto é, apenas para um grupo seleto de pessoas. Essa história de que “eu não nasci para Matemática” é um dos maiores mitos que nós carregamos, e ele é devastador!
Quando você acredita que a habilidade é inata e fixa você se sente limitado, desinteressado e sem confiança na própria capacidade.
Mas, o que a ciência diz? Jo Boaler, uma pesquisadora superimportante da área, defende que todos são capazes de aprender matemática.
Muitas vezes, temos medo da disciplina porque crescemos em uma cultura voltada para o desempenho. É aquela coisa: o foco é no acerto rápido, e o erro é visto como um indicador de que você não é inteligente.
Pior: escutamos tanta gente falando mal da disciplina “Ai, que matéria difícil!”, “Eu odiava isso na escola!” que criamos um bloqueio antes mesmo de abrir o livro.
Essa é a ansiedade matemática que se instala. Sabe aquele frio na barriga na hora da prova? Quando estudantes estão sob um momento de estresse, a memória operacional sofre um bloqueio. O resultado? Erros, frustrações e a confirmação de que a disciplina não é para todos. Mas o que fazer nesses casos? Como tornar a matemática uma disciplina atraente?
A resposta é simples: basta conectá-la com a vida real, uma vez que ela só começa a fazer sentido de verdade quando ela pode ser vivenciada ou imagina pelo aluno.
Quando você usa a proporção para entender por que o preço da carne subiu tanto no açougue, ou quando usa a estatística para analisar se aquela “fake news” das redes sociais, a Matemática se torna uma ferramenta de empoderamento. Ela deixa de ser um monte de letras e números soltos e vira a linguagem que explica o mundo.
Afinal, a Matemática é usada para planejar o itinerário do ônibus que você pega todo dia, para calcular o seu investimento no banco e para entender a dispersão de vírus em uma pandemia. Se ela está em todo lugar, por que na escola ela parece viver em um universo paralelo?
A chave para pararmos de ver a Matemática como um bicho de sete cabeças é simples: mudar a forma como a gente pensa e aprende a matéria. Mudar essa relação com a Matemática é urgente. É um caminho para a equidade e para o empoderamento de todos.
Se nós, professores, pais e a sociedade em geral, começarmos a enviar mensagens positivas e a acreditar que todo mundo tem a capacidade de aprender, a Matemática vai se transformar de um obstáculo em uma ferramenta de vida. Agora, me diga aí no seu pensamento: você gosta de Matemática? Se a resposta for “não”, o que te fez criar esse bloqueio?
A reflexão sobre a sua experiência é o primeiro passo para reescrever essa história. Até a próxima e não esqueça de praticar a mente.
